Arquivo pessoal / AFP
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Moscou descarta trocar ex-fuzileiro americano detido por espionagem por russos presos nos EUA

Chancelaria russa afirma que as circunstâncias das prisões são diferentes; tanto Washington quanto Moscou pediram nesta semana a libertação de seus cidadãos

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2019 | 19h30

MOSCOU - A Rússia rejeitou neste sábado, 5, a possibilidade imediata de trocar um prisioneiro americano acusado de espionagem por algum russo detido nos EUA. A afirmação do Ministério de Relações Exteriores russo foi feita após o anúncio da prisão do cidadão russo Dmitry Makarenko.

Autoridades do FBI se recusaram a comentar o caso. O ministério russo afirma que os EUA prenderam o russo nas Ilhas Mariana do Norte no dia 29 de dezembro e o levaram para a Flórida. 

Dois dias antes, o ex-fuzileiro naval americano Paul Whelan havia sido detido na Rússia por suspeita de espionagem. Whelan foi preso pelo Serviço de Segurança Federal russo, mas a família dele diz que ele estava em Moscou para um casamento.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, afirmou nesta semana que Washington pediu a Moscou que explique a prisão de Whelan e vai exigir o seu imediato retorno caso a detenção não tenha uma justificativa plausível.

Caso Butina

Outra troca que parece descartada com a declaração deste sábado do vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, é a de Whelan pela ex-espiã de Moscou Maria Butina, cujo processo ocorre em Washington.

"Aqui não há e nem pode haver relação alguma com as circunstâncias nas quais estão alguns cidadãos americanos, e, naturalmente, russos nos EUA", disse Ryabkov à agência Interfax.

Pouco antes da prisão de Whelan, a ex-espiã Butina se declarou culpada de conspirar contra os EUA e aceitou cooperar com as autoridades americanas.

Após a detenção do americano, alguns políticos russos sugeriram a possibilidade de sua troca por Butina, mas para o vice-ministro russo atualmente não há "nenhum motivo" para pensar nessa possibilidade. "O assunto é muito sério, trata-se de atividades de espionagem que violam as leis russas", ressaltou.

Quanto à situação de Butina, Ryabkov reiterou a chamada de Moscou para sua pronta libertação e insistiu que a jovem foi vítima de "acusações infundadas", enquanto as "pressões psicológicas" sofridas a levaram a aceitar um trato com as autoridades.

As acusações de ambos os lados podem complicar ainda mais os laços entre Washington e Moscou, apesar do desejo externado pelos presidentes Donald Trump e Vladimir Putin de construírem uma boa relação pessoal. / AFP, REUTERS e WASHINGTON POST

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