Moscou e Caracas firmam acordo de cooperação nuclear

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, assinou ontem um acordo com a Rússia para a construção de uma usina nuclear na Venezuela. O pacto foi firmado durante sua visita a Moscou. De acordo com o ministro de Energia e presidente da estatal venezuelana PDVSA, Rafael Ramírez, "a planta terá 500 megawatts de potência". "Vamos desenvolver energia nuclear e nada nos impedirá", declarou Chávez após a assinatura do tratado.

EFE, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2010 | 00h00

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Philip Crowley, disse que o governo americano acompanhará "de muito perto" o acordo. O presidente russo, Dmitri Medvedev, afirmou que as intenções de ambos os governos "são absolutamente claras e transparentes". Ramírez não deu detalhes sobre quando ou onde a usina funcionará, pois o projeto ainda está "em fase preliminar", segundo afirmou o ministro.

"Hoje, concordamos que nossos países estão interessados no desenvolvimento e na cooperação tecnológica. Como primeiro exemplo, acabamos de assinar um acordo de cooperação no âmbito nuclear", declarou Medvedev.

A primeira usina atômica iraniana, que engenheiros russos puseram recentemente em operação, às margens do Golfo Pérsico, tem 1.000 megawatts de potência. Antes de chegar à Rússia, Chávez havia antecipado o acordo bilateral. "A Venezuela entra no caminho da energia nuclear. Não preciso dizer, mas vou fazê-lo: com fins pacíficos, certamente", declarou o presidente.

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, anunciou que Moscou fornecerá 35 tanques a Caracas, que já declarou a intenção de gastar US$ 5 bilhões em armas russas. Venezuela e Rússia firmaram ainda um convênio para estabelecer uma empresa de transporte aéreo e de petróleo, segundo informou o jornal venezuelano El Universal.

Intervenção. A Superintendência de Bancos e Outras Instituições Financeiras (Sudeban), do governo venezuelano, anunciou ontem a intervenção estatal no Bancoro. O organismo informou que os depósitos dos 177.115 clientes estão garantidos e alegou "problemas de liquidez" para justificar a ação.

O banco tem 46 agências e 894 empregados. De acordo com Jorge Giordani, ministro de Planificação e Finanças, a instituição bancária já havia sofrido medidas administrativas em janeiro de 2009, quando teriam sido detectados vários problemas.

No mês passado, o Bancoro teve novamente problemas de liquidez , por esse motivo, a intervenção estatal foi "inevitável", ainda segundo o ministro. Centenas de venezuelanos fizeram fila em frente às agências do banco ontem.

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