Aleksey Nikolskyi/Ria Novosti/Reuters
Aleksey Nikolskyi/Ria Novosti/Reuters

Moscou elogia acordo, mas critica sanções à Rússia

Chancelaria russa comenta aproximação e lamenta política restritiva dos EUA, que deve custar US$ 31,7 bilhões à economia local

Andrei Netto, de Paris / Correspondente, O Estado de S. Paulo

17 de dezembro de 2014 | 23h23

Aliado mais simbólico do regime castrista em Cuba nos últimos 50 anos, o governo da Rússia saudou com certa frieza nesta quarta-feira, 17, a reaproximação entre Washington e Havana. Coube ao ministro-adjunto das Relações Exteriores, Serguei Ryabkov, felicitar os dois países, segundo nota divulgada pela agência Interfax. Ele aproveitou para criticar as sanções dos EUA à Rússia, que fica ainda mais isolada no cenário internacional.

Segundo Ryabkov, a decisão anunciada pelo presidente americano, Barack Obama, e pelo cubano, Raúl Castro, vai em uma “boa direção” e será acompanhada de perto pelo Kremlin. “O anúncio foi recebido pelo nosso governo com uma resposta positiva”, afirmou o ministro-adjunto. “Nós o vemos como um passo na direção certa.”

O diplomata, no entanto, aproveitou a oportunidade para criticar a política de sanções econômicas por parte dos EUA. Desde o primeiro semestre, a Rússia é alvo de várias restrições – empreendidas também pela União Europeia – em razão da interferência russa na crise política e militar que se arrasta na Ucrânia.

De acordo com o Ministério da Economia da Rússia, o boicote de americanos e europeus deve custar US$ 40 bilhões a Moscou em um ano. “Não acreditamos que a imposição de sanções por parte dos EUA a qualquer país tenha base legítima e fundamentos jurídicos”, afirmou Ryabkov.

Em julho, durante uma turnê pela América Latina, o presidente russo, Vladimir Putin, viajou para Cuba e encontrou-se com Raúl e seu irmão, Fidel Castro. O objetivo da viagem era estabelecer novos contratos e alianças no setor de petróleo, de energia, medicina e construção aeronáutica.

Em um gesto de reaproximação diplomática, o Kremlin anunciou o perdão de 90% da dívida que Cuba tinha com a Rússia, o equivalente a US$ 31,7 bilhões que haviam sido contraídos ainda na época da União Soviética. A discussão em torno desse valor causava atritos diplomáticos entre os dois países. Pelo acordo, os 10% restantes da dívida serão reinvestidos em Cuba, em projetos de infraestrutura e no desenvolvimento da indústria mecânica e metalurgia.

Ainda este ano, Putin foi homenageado no encontro de cúpula que celebrou os dez anos da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), em Havana. O bloco foi criado em 2004 pelo então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e por Fidel Castro com o objetivo de montar uma frente anti-EUA na América Latina.

Na oportunidade, os líderes da Alba, entre os quais o presidente da Bolívia, Evo Morales, publicaram um comunicado elogiando a luta “anti-imperialista” de Putin contra os Estados Unidos e condenaram o embargo americano contra Cuba, exigindo que a ilha fosse retirada da lista de países que apoiam o terrorismo. No fim da semana passado, Putin enviou uma nova mensagem aos líderes bolivarianos. Nela, o presidente russo reforçava a aliança do grupo com Moscou, chamando os países do bloco de “fiéis aos princípios de uma ordem mundial justa e democrática”

 

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