Moscou mantém contatos com oposição a Saddam

O governo da Rússia, aliado internacional do Iraque, admitiu ter mantido contatos "não-oficiais" com a oposição ao regime de Saddam Hussein, enquanto os EUA continuam insistindo em uma iminente intervenção armada contra o Iraque. A três dias da visita a Moscou do chefe da diplomacia iraquiana, Naji Sabri, fontes do ministério do Exterior em Moscou confirmaram que no início desta semana um diplomata russo manteve em Washington encontros com representantes do Congresso Nacional Iraquiano (CNI), principal organização opositora no exterior. A chancelaria russa informou que estes contatos se repetirão no futuro com "diversos círculos políticos iraquianos", no âmbito de uma normal atividade diplomática. Há tempos, a Rússia mantém não apenas contatos com o CNI como também com os curdos, que têm ampla autonomia no norte do Irque graças à zona de exclusão imposta pelos EUA e a Grã-Bretanha após a Guerra do Golfo (1991). Além disso, o governo de Vladimir Putin mantém boas relações com o Partido Democrático do Curdistão (PDK), de Massud Barzani, que olha com preocupação - tanto quanto o Kremlin - as ações militares que não levem em conta um possível dia seguinte da queda de Saddam, nem o futuro dos curdos do Iraque. O PDK, que tem uma representação em Moscou, não pretende um Estado independente curdo e, sim, a criação de uma federação. Ao mesmo tempo, Moscou definiu como "inaceitável" um ataque norte-americano sobre o Iraque, e aguarda em contrapartida "uma solução político-diplomática". O governo russo está interessado em evitar um ataque sobre o Iraque, país com o qual mantém créditos de US$ 8 bilhões e com o qual deve firmar proximamente um acordo econômico que prevê, em 10 anos, contratos no valor de entre US$ 40 bilhões e US$ 60 bilhões.

Agencia Estado,

30 Agosto 2002 | 18h10

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