Moscou pode deportar dissidentes norte-coreanos

ONU denuncia que desertores correm sério risco de violações dos direitos humanos em seu país

O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2015 | 21h58

SEUL - Um acordo de extradição assinado entre a Rússia e a Coreia do Norte poderá ser usado para mandar de volta desertores norte-coreanos e colocá-los sob sério risco em seu país de origem, denunciaram nesta quinta-feira investigadores dos direitos humanos das Nações Unidas.

As declarações foram dadas pelo enviado especial da ONU para assuntos de Coreia do Norte, Marzuki Darusman. Segundo ele, nove norte-coreanos presos no Vietnã estão sob custódia da China e também poderão, em breve, ser repatriados.

“Estou desapontado em saber que a Rússia assinou o acordo de extradição com a Coreia do Norte na semana passada”, afirmou Darusman, em um comunicado, em Seul.

Ele disse que, apesar das promessas da Rússia de que esse acordo não seria usado para deportar ninguém sob risco de perseguição, ele poderia, na verdade, facilitar esse processo para norte-coreanos que buscam asilo no país. “Isso pode colocar essas pessoas em sério risco de violações (dos direitos humanos), incluindo de tortura.” A embaixada russa em Seul não comentou as acusações.

Novos relatórios apontam que Rússia e Coreia do Norte concordaram, há um ano, em deportar imigrantes ilegais em seus países dentro de 30 dias. Os países dividem fronteira.

Uma ampla investigação dos direitos humanos da ONU no ano passado mostrou que norte-coreanos forçados a voltar para Pyongyang são comumente submetidos a tortura, detenção, execução e violência sexual, afirmou a porta-voz de direitos humanos da ONU, Ravina Shamdasani.

Enviar refugiados à força de volta para países onde eles podem sofrer perseguição está proibido por tratados internacionais assinados pela China, por exemplo, mas Pequim afirma que os dissidentes norte-coreanos são, na verdade, “imigrantes econômicos”.

Na semana passada, um comitê da Assembleia-Geral das Nações Unidas condenou o que chamou de “galopante e planejado abuso dos direitos humanos na Coreia do Norte”.

O comitê considerou ainda que alguns casos poderão até mesmo ser considerados crimes contra a humanidade. / REUTERS

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