Moscou quer proibir companhias europeias de sobrevoar a Sibéria

Medida seria retaliação após empresa aérea russa ter os voos suspensos em razão das sanções impostas pela União Europeia 

O Estado de S. Paulo

05 de agosto de 2014 | 14h45

MOSCOU - O primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, ameaçou nesta terça-feira, 5, impor retaliações após a subsidiária da companhia aérea nacional Aeroflot ser proibida de realizar voos.

A companhia de baixo custo Dobrolyot, operada pela Aeroflot, suspendeu todos os voos na semana passada após o contrato de arrendamento da companhia aérea ter sido cancelado sob sanções da União Europeia, por voar para a Crimeia, região ucraniana anexada pela Rússia em março. 

"Devemos discutir uma possível retaliação", disse Medvedev em uma reunião com o ministro dos Transportes da Rússia e um vice-diretor executivo da Aeroflot. 

O jornal de negócios Vedomosti informou que a Rússia pode restringir ou proibir as companhias europeias de voar sobre a Sibéria em rotas asiáticas, medida que imporia custos e tornaria os voos mais demorados e exigiria mais combustível. 

O Vedomosti, citando fontes anônimas, disse que ministros das Relações Exteriores e do Transporte estavam discutindo a ação, o que colocaria as companhias aéreas europeias em desvantagem em relação às rivais asiáticas, mas também custaria dinheiro à Rússia, que arrecada com taxas de sobrevoo. 

As ações da Aeroflot - que, de acordo com o jornal, recebe US$ 300 milhões por ano em taxas pagas pelas companhias aéreas estrangeiras que sobrevoam a Sibéria - caíram após a reportagem. 

No auge da Guerra Fria, a maioria das companhias aéreas ocidentais foram impedidas de voar no espaço aéreo russo para cidades asiáticas. Elas tiveram de operar através do Golfo ou do aeroporto de Anchorage, na rota polar do Alaska.

Atualmente, as companhias europeias sobrevoam a Sibéria em suas rotas de rápido crescimento para países como China, Japão e Coreia do Sul, com o pagamento de taxas que foram motivo de uma longa disputa entre Bruxelas e Moscou.

O jornal citou uma fonte dizendo que a proibição poderia custar às companhias aéreas Lufthansa, British Airways e Air France US$ 1,3 bilhão em três meses. No entanto, a Aeroflot também pode ser prejudicada com a perda das taxas.

A Lufthansa disse que opera cerca de 180 voos por semana através do espaço aéreo siberiano, mas não quis fazer comentários sobre a possível retaliação da Rússia, assim como a British Airways.

A União Europeia ampliou suas sanções após a queda do voo MH 17 da Malaysia Airlines no leste da Ucrânia, em uma área controlada por rebeldes pró-Rússia, no mês passado, matando 298 pessoas.

A suspensão de voos para a Crimeia à companhia aérea russa impede os cidadãos russos de aproveitarem feriados baratos na península do Mar Negro, em resorts como Yalta.

Isso contribui para um verão catastrófico em que uma série de empresas de viagens russas quebraram enquanto a economia flerta com a recessão e o rublo cai. Cerca de 15 mil turistas estão presos no exterior, após o colapso da maior empresa de viagens, a Labirint, embora autoridades do setor tenham prometido compensação aos clientes, por meio das seguradoras dessas companhias. /REUTERS

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