Moscou rejeita ''integridade territorial'' de país vizinho

EUA e União Européia pediram ontem que a solução do conflito no Cáucaso seja baseada no reconhecimento da integridade territorial da Geórgia. No entanto, depois de invadir e avançar o país por cinco dias com tropas, tanques e bombardeios, a Rússia rejeitou essa exigência.O plano de seis pontos costurado pela União Européia e aprovado por Moscou e Tbilisi proíbe o uso da força. Rússia e Geórgia se comprometeram a respeitar um cessar-fogo e garantir o acesso de ajuda humanitária. Os aspectos militares e políticos do acordo, porém, são problemáticos, o que ameaça a trégua.Embora o presidente americano, George W. Bush, tenha advertido que a Rússia precisa respeitar o cessar-fogo combinado na véspera, Moscou recusou-se a aceitar essa condição, se negando a reconhecer a soberania georgiana sobre todo o seu território.Russos e georgianos concordaram com a realização de "discussões de âmbito internacional" sobre a Ossétia do Sul e a Abkházia, mas a Rússia manteve suas opções em aberto sobre as duas províncias separatistas favoráveis a ela.Um comunicado da UE declarou que todo acordo de paz deve se basear na integridade territorial reconhecida da Geórgia. Entretanto, Sergei Ivanov, vice-primeiro-ministro da Rússia e ex-ministro da Defesa, recusou-se reiteradamente a reconhecer o controle da Geórgia sobre seu próprio território. "Reconhecemos a soberania e a independência da Geórgia, mas a integridade territorial é outra questão", disse ao programa Hardtalk, da BBC. "A Ossétia do Sul e a Abkházia nunca fizeram parte da Geórgia como país independente."Os ministros das Relações Exteriores dos 27 países da UE interromperam ontem suas férias para realizarem uma reunião de emergência em Bruxelas. O chanceler francês, Bernard Kouchner, que acabara de voltar da zona de conflito, admitiu que o acordo intermediado por ele e o presidente Nicolas Sarkozy era "parcialmente insatisfatório", mas que a prioridade era conseguir um cessar-fogo durável, antes de se partir para negociações políticas mais substantivas.SOLUÇÃOPor insistência russa, as forças georgianas devem retornar às suas bases enquanto que as forças "de manutenção da paz" na contestada província da Ossétia do Sul continuam a realizar patrulhas de segurança e exercer outras funções até que "um mecanismo internacional" seja implementado. "Isso dá aos russos direitos de segurança indefinidos em um território indefinido na Geórgia. Ou seja, um convite para mais problemas", disse o ministro do Exterior sueco, Carl Bildt.

The Guardian, O Estadao de S.Paulo

14 de agosto de 2008 | 00h00

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