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Moscou retém ajuda de US$ 15 bilhões à Ucrânia

Putin diz que dinheiro só será liberado após formação de um novo governo em Kiev

O Estado de S. Paulo,

29 de janeiro de 2014 | 12h25

(Atualizada às 23h30) KIEV - O presidente Vladimir Putin ampliou nesta quarta-feira, 29, a pressão sobre a Ucrânia, ao anunciar que a Rússia aguardará a formação de um novo governo em Kiev para liberar a ajuda prometida de US$ 15 bilhões, da qual a economia ucraniana depende urgentemente.

A jogada do Kremlin veio à tona no dia em que o Parlamento da Ucrânia votou uma lei de anistia que deve tirar da cadeia praticamente todos os opositores presos. Na véspera, o primeiro-ministro Mykola Azarov anunciou sua renúncia, em meio a sinais de apaziguamento da tensão entre o governo pró-Rússia de Viktor Yanukovich e os manifestantes pró-Europa. Também na terça-feira, o Parlamento ucraniano suspendeu trechos de uma lei que limitava a liberdade de expressão. Ainda se discute o fim do estado de emergência.

Putin voltou a dizer que enviará a ajuda à Ucrânia, mas, ao mesmo tempo, autoridades russas apertaram os controles nas fronteiras com o território ucraniano. Os sinais do Kremlin foram interpretados como um recado: o novo governo da Ucrânia não deve se inclinar "demasiadamente" em direção a Bruxelas.

Putin prometeu liberar a ajuda bilionária para a Ucrânia em dezembro, pouco depois de o governo Yanukovich decidir suspender negociações para se associar à União Europeia. Em vez disso, Kiev indicou que entraria em uma união econômica sob a hegemonia da Rússia. A mudança nos planos serviu de estopim para uma onda de protestos na ex-república soviética.

"Vamos esperar a formação do governo ucraniano, mas peço que, mesmo sob a atual situação, não percamos contato com nossos colegas (da Ucrânia)", disse Putin em uma reunião com parte da cúpula do governo russo, em cenas transmitidas pela TV local.

Pressão ocidental. À beira da bancarrota e em meio a uma convulsão social que dura dois meses, a Ucrânia está despertando temores cada vez maiores na Europa Ocidental. Na quarta-feira, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, telefonou a Yanukovich para incentivá-lo a adotar medidas que baixem a tensão no país.

"Não se pode deixar a situação descambar para a violência novamente", disse um porta-voz da chancelaria de Berlim ao comentar o conteúdo da conversa entre Merkel e o presidente ucraniano.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, foi ainda mais direto, culpando a Rússia pelo fracasso das negociações entre Kiev e o bloco europeu. "Um acordo de associação (da UE) com a Ucrânia teria representado um grande impulso para a segurança da Europa e do Atlântico e eu realmente lamento que ele não tenha sido concretizado", afirmou o secretário-geral, em entrevista ao jornal francês Le Figaro.

A chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton, pediu uma "discussão substancial" sobre a Ucrânia. "O diálogo que tem ocorrido de tempos em tempos deve passar a ser uma negociação séria. Esperamos ver progressos reais nos próximos dias. O tempo é essencial."

Economistas estimam que a economia ucraniana depende de US$ 3,8 bilhões apenas para os três primeiros meses de 2014, incluindo US$ 2,29 bilhões em compras de gás. Entre abril e junho, o rombo no orçamento será ainda maior: US$ 5,5 bilhões. Para todo o ano fiscal de 2014, a Ucrânia precisaria de empréstimos no valor de US$ 17,44 bilhões.

A situação econômica é agravada pelas cisões políticas na Ucrânia - agora até mesmo dentro do campo opositor. Cinco pessoas ficaram feridas em meio à violência entre facções da oposição que ocupavam um prédio do governo.

Os confrontos ocorreram enquanto cresce a pressão sobre setores moderados das forças antigoverno para que demonstrem maior controle sobre os protestos. Em troca de uma redução da desordem, o governo Yanukovich apoiaria a anistia aprovada. / AP

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