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Mostramos que podemos, diz Obama em carta a americanos 

Na carta de despedida, o presidente dos EUA defende as conquistas de seus oito anos de governo, embora o próximo líder do país já tenha prometido desmantelar parte do legado

O Estado de S. Paulo

05 Janeiro 2017 | 19h59

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu nesta quinta-feira, 5, as conquistas de seus oito anos de governo em carta dirigida aos americanos, embora o próximo líder do país, Donald Trump, já ter prometido desmantelar parte desse legado. 

Obama, que passará o poder ao magnata republicano no dia 20, começa a carta lembrando aos "compatriotas americanos" a grave crise econômica que o país enfrentava em 2009.

"Há oito anos, os Estados Unidos enfrentavam um momento de perigo como nunca tínhamos visto em décadas", afirma o governante em fim de mandato.

Segundo o democrata, essa situação se complicava também porque cerca de 180 mil soldados americanos estavam mobilizados no Iraque e no Afeganistão, e Osama bin Laden, o "cérebro dos piores ataques terroristas em solo americano", continuava "foragido".

"Oito anos depois, uma economia que afundava (a um ritmo de) mais de 8% está agora crescendo a mais de 3%", ressalta o primeiro presidente negro da história do país.

Obama também se mostra orgulhoso por ter reduzido a presença militar americana para 15 mil soldados no Iraque e no Afeganistão e terroristas como Bin Laden, ex-líder da rede Al Qaeda, "foram eliminados do campo de batalha".

O presidente americano ressalta também que os EUA danificaram duramente o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) e seus "refúgios" no Iraque e no Afeganistão com o apoio de uma coalizão formada por mais de 70 países.

Em termos de política externa, Obama se vangloria por ter contribuído na elaboração do acordo nuclear firmado em julho de 2015 entre o Irã e o P5+1 (China, EUA, França, Reino Unido, Rússia, cinco potências nucleares do Conselho de Segurança, mais a Alemanha) para frear o programa atômico iraniano, muito criticado por Trump.

Obama destaca o processo de normalização das relações bilaterais entre EUA e Cuba, que Trump prometeu reverter caso Havana não ofereça a Washington um pacto "melhor", e o Acordo de Paris contra a mudança climática, que também não agrada o sucessor.

Entre as conquistas na política nacional, o líder democrata enfatiza a reforma da saúde, conhecida como 'Obamacare' e promulgada em 2010, que estabelece que todos os cidadãos são obrigados a ter um plano de saúde, medida que beneficiou mais de 20 milhões de pessoas.

O presidente visitou o Congresso na quarta-feira para pedir aos legisladores democratas firmeza contra os esforços republicanos para derrubar a reforma da saúde, que incluirão ações executivas de Trump desde seu primeiro dia na Casa Branca.

Apesar de ter enaltecido sucessos, Obama lamentou alguns fracassos, como não ter conseguido aprovar medidas de controle do uso de armas de fogo para evitar tiroteios e uma reforma migratória que "encoraje os melhores e mais brilhantes do mundo a estudarem, ficarem e criarem mais empregos" nos Estados Unidos.

"Nos últimos oito anos, nós mostramos que podemos", afirma Obama, em referência ao slogan de sua primeira campanha: Yes, we can (Sim, nós podemos). "Nosso país é mais forte e mais próspero do que era quando começamos, uma situação que deixarei ao meu sucessor e da qual estou orgulhoso. Servir como presidente foi o privilégio da minha vida. Nossos melhores dias ainda estão por chegar", conclui.

Barack Obama fará o último grande discurso como presidenteno dia 10 em Chicago, a cidade onde conheceu a mulher, Michelle, nasceram suas duas filhas, trabalhou como líder comunitário e iniciou a carreira política. / EFE

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