Karim Kadim/AP
Karim Kadim/AP

Motim em presídio no Iraque deixa 17 mortos

Entre as vítimas está um suposto líder da Al-Qaeda iraquiana, que tomou a arma de um policial e iniciou o levante, além do diretor da unidade

AFP, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2011 | 00h00

Onze membros da Al-Qaeda no Iraque e seis policiais morreram na madrugada de ontem durante um motim em uma prisão de Bagdá. O levante foi provocado por Huthaifa al-Batawi, um líder da Al-Qaeda acusado de ter organizado um atentado contra a catedral católica da capital em outubro, que matou 46 fiéis e 7 policiais, informaram as autoridades. Batawi está entre os mortos.

O motim, que durou várias horas, também provocou a morte do general Moayed al-Sayed, diretor da unidade de luta antiterror, localizada no bairro de Karrada.

"Este incidente tinha sido bem preparado", informou o general Qassem Atta, porta-voz do comando de operações de Bagdá. "Os criminosos eram todos importantes membros do Estado Islâmico no Iraque (o ramo iraquiano da Al-Qaeda)", acrescentou. O governo ordenou a investigação do caso.

Segundo testemunhas, Batawi tomou a arma de um policial enquanto era levado para interrogatório e disparou contra os agentes de segurança.

Um funcionário do Ministério do Interior disse que Batawi seria interrogado sobre possíveis planos do grupo para vingar a morte de Osama bin Laden, na semana passada no Paquistão. Batawi conseguiu soltar vários companheiros. Quatro dos amotinados tentaram fugir, mas acabaram sendo mortos pelos agentes penitenciários. Outros sete se entrincheiraram na prisão até que o último deles foi morto às 4h30, disse o general Atta.

Quando foi preso em novembro com outros sete membros do grupo, Batawi foi apresentado à imprensa como o líder em Bagdá da Al-Qaeda. Apesar das derrotas sofridas nos últimos anos o grupo ainda é atuante e é suspeito de ser o responsável pelo ataque suicida com um carro-bomba lançado na quinta-feira contra um posto policial na cidade de Hilla, no qual morreram 24 pessoas. O motim fez ressurgir, novamente, a questão sobre a capacidade das forças iraquianas para assumir a segurança do país, quando faltam menos de oito meses para a retirada dos 45 mil soldados americanos que permanecem no Iraque. O presídio de Karrada abrigava 220 detentos, entre eles 38 supostos membros da Al-Qaeda.

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