Motlanthe é o novo presidente da África do Sul

Moderado assume após renúncia de Mbeki e fica no cargo até as eleições presidenciais, em abril de 2009

AP, O Estadao de S.Paulo

23 de setembro de 2008 | 00h00

O vice-presidente do Congresso Nacional Africano (CNA), Kgalema Motlanthe, foi designado ontem presidente da África do Sul, em substituição a Thabo Mbeki, que renunciou ao cargo no domingo. "Motlanthe será o novo presidente - e não um interino. Ele terá plenos poderes até as eleições gerais em abril de 2009", afirmou Khotso Khumalo, porta-voz do CNA, após reunião da bancada do maior partido sul-africano, na Cidade do Cabo.Motlanthe integrou-se ao governo de Mbeki algumas semanas atrás, como ministro especial da presidência, para assegurar a transição de poderes para o grupo de Jacob Zuma - que derrotou Mbeki nas eleições para líder do CNA em dezembro e deve ser ratificado na presidência nas eleições de abril. Ex-combatente da luta contra o apartheid, Motlanthe, de 59 anos, manteve-se neutro na disputa pelo poder no partido. Nos últimos meses, ele liderou uma campanha de reconciliação nacional para tranqüilizar a minoria branca e os investidores estrangeiros preocupados com a reputação populista de Zuma. Discreto, sempre evitou falar em ambição presidencial. "Eu, presidente? Não, obrigado", desconversava, afirmando preferir o cargo de auxiliar-técnico da seleção de futebol da África do Sul.A renúncia de Mbeki começou a tomar forma na semana passada, quando a Justiça inocentou Zuma das acusações de corrupção, denunciando "interferências políticas" na elaboração do processo. A decisão serviu de pretexto para que a base do CNA, dominada por Zuma, retirasse o apoio ao presidente no Parlamento.Mbeki deixa a presidência após uma década no poder - ele assumiu o país das mãos de Nelson Mandela, em 1999. Ao contrário de seu antecessor, no entanto, Mbeki retira-se da política sul-africana pela porta dos fundos. Apesar de o país ter crescido em média 5% ao ano na última década, a riqueza foi mal distribuída - a população que vive na miséria absoluta dobrou -, o índice de desemprego atingiu 26% e a criminalidade bateu recorde. A política de combate à aids também foi um fracasso: 5,5 milhões de sul-africanos são soropositivos - a população mais infectada do planeta. Mbeki também foi bastante criticado por sua política externa. Durante sua gestão, a África do Sul aproximou-se de Cuba, Irã e Líbia, e ajudou a China a vetar na ONU o debate sobre a violação de direitos humanos em Mianmar. Mbeki também foi considerado o principal responsável pela sobrevida de Robert Mugabe, ditador do vizinho Zimbábue.

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