Motorista de Bin Laden integrou Al Qaeda, diz acusação

Por Jane Sutton BASE NAVAL DOS EUA NA BAÍA DE GUANTÁNAMO, Cuba (Reuters) -O motorista de Osama bin Laden jurou lealdade e forneceuserviços essenciais ao "mais perigoso terrorista do mundo",afirmou um promotor ao apresentar, na segunda-feira, asargumentações finais da acusação no primeiro julgamento porcrimes de guerra realizado pelos EUA em Guantánamo. O réu Salim Hamdan, do Iêmen, seria um conspiradorfundamental que dirigia para e protegia o líder da Al Qaeda noAfeganistão, tendo conhecimento do fato de os objetivos deleincluírem assassinar norte-americanos, disse o promotor JohnMurphy a um júri composto por seis oficiais das Forças Armadasdos EUA. Os jurados devem começar a deliberar sobre a sentença deHamdan já na segunda-feira. "Ele conhecia todas as principais pessoas que cercam eprotegem a Al Qaeda", afirmou Murphy. "Ele sabia das açõesterroristas antes de elas acontecerem." Segundo o promotor, Hamdan trabalhou como guarda-costas deBin Laden e foi encarregado de fugir com o militante radicalcaso o comboio deles sofresse um ataque, formando assim aúltima linha de defesa do homem "situado no topo da pirâmide doterror". O iemenita, que tem cerca de 38 anos de idade, foicapturado no Afeganistão em novembro de 2001. Ele pode sercondenado à prisão perpétua se for considerado culpado deconspirar com a Al Qaeda e de fornecer apoio material para oterrorismo. Esse é o primeiro julgamento norte-americano porcrimes de guerra desde a Segunda Guerra Mundial. No entanto, se Hamdan for inocentado ou condenado a umapena menor do que seis anos de prisão (pena essa que já teriacumprido), os EUA afirmam que podem continuar mantendo-o detidoaté o final da "guerra contra o terror" declarada pelopresidente norte-americano, George W. Bush, depois dos ataquesde 11 de setembro de 2001 realizados pela Al Qaeda. O iemenita, preso há seis anos na base naval dos EUA nabaía de Guantánamo (Cuba), diz que dirigiu para Bin Ladenporque precisava do salário de 200 dólares que recebia. Masnega ter ingressado na Al Qaeda, ter jurado lealdade aomilitante ou ter participado de ataques. Os advogados de defesa descrevem Hamdan como um civilcomparável aos prestadores de serviço que trabalham para asforças norte-americanas. O julgamento dele deve ser o primeiro a ser concluído nospolêmicos tribunais criados pelo governo Bush para processar oscidadãos estrangeiros acusados de terrorismo. Esses processosocorrem fora das cortes civis e militares comuns. Um ex-detento de Guantánamo, o australiano David Hicks,membro da Al Qaeda, evitou ser julgado na base naval aodeclarar-se culpado do crime de prover apoio material paraatividades terroristas. Hicks terminou de cumprir sua pena denove meses de prisão no ano passado, na Austrália.

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