Motorista de ônibus sobrevive ao 4º atentado

Pela quarta vez, o motorista Micky Harel escapou hoje da morte quando um carro carregado com explosivos foi detonado ao lado de seu ônibus nº 830 esta manhã. A força da explosão fez o ônibus capotar duas vezes, provocou um grande incêndio e jogou passageiros na rua. O ataque, promovido por um militante islâmico, matou pelo menos 16 israelenses - 13 deles soldados - e feriu 38. Harel, que disse já ter sobrevivido a três outros ataques a bomba e a tiros na mesma linha no norte de Israel, escapou com pequenos ferimentos. O motorista conseguiu arrastar alguns passageiros para fora do ônibus, quando as chamas começaram a crescer. "Eu estava desesperado porque não conseguia retirar mais ninguém", relatou. O itinerário do ônibus passa por cidades árabes e é possível que algumas das vítimas sejam cidadãos árabes. Autoridades disseram que era difícil contar e identificar os mortos porque os corpos ficaram destroçados e carbonizados e o ônibus acabou se transformando em um monte de metal queimado e retorcido. "É uma visão terrível", afirmou o chefe regional de polícia, Yaakov Borovsky. O grupo militante Jihad Islâmica anunciou ter executado o ataque para marcar o 35º aniversário da Guerra dos Seis Dias, de 1967. O ônibus partiu de Tel Aviv às 5h50 (horário local) e rumava para Tiberíades, no mar da Galiléia. A viagem terminou em destruição em Megiddo, a palavra em hebreu para "Armagedon" - cenário de uma batalha entre o Bem e o Mal que ocorreria no Juízo Final, de acordo com o Apocalipse. Hoje, como faz todos os dias, Harel apanhou muitos soldados em pontos nas cidades costeiras de Netanya, Hadera e Karkur e no Campo 80. Ele já conhecia muitos deles. Alguns ouviam música com fones de ouvido e outros cochilavam. O soldado Sharon Levinger entrou no ônibus, e um amigo reservou para eles dois assentos na primeira fila e pediu a Levinger para acordá-lo quando chegassem à base deles. Na rodovia 66, quando se aproximavam da Prisão de Megiddo, Levinger percebeu um carro emparelhado com o ônibus. Logo depois uma explosão invadiu o interior do coletivo, relatou ele numa cama de hospital. O ônibus capotou duas vezes e parou numa faixa de grama na frente da prisão. Harel agarrou firmemente a direção, mesmo sendo atingido pelos estilhaços do grande pára-brisas. Para ele, a sensação de pânico era familiar. Ele já havia sobrevivido a três outros ataques nos últimos 20 meses de conflito israelense-palestino. Em outubro, Harel se preparava para entrar no ônibus nº 842 quando um militante palestino disfarçado de soldado israelense fez vários disparos contra o veículo na cidade nortista de Afula matando três transeuntes. Um mês depois, Harel estava apenas a 50 metros de um outro ônibus que foi explodido por um atacante-suicida nas proximidades da cidade árabe de Umm el-Fahm. Três passageiros morreram no ataque. No mês passado, num cruzamento, ao abrir o sinal, um atacante suicida detonou explosivos que carregava ao lado da estrada, enquanto Harel passava com seu ônibus. Apenas o atacante morreu. Consciente dos perigos, Harel algumas vezes pede aos passageiros para abrir suas jaquetas. Ele checa bagagens que são colocadas no bagageiro.AbraçadosNo ataque de hoje, seu ônibus incinerado foi parar rente à cerca de arame farpado da prisão. Prisioneiros, muitos deles palestinos, comemoraram ao ouvir a explosão, segundo a polícia. Guardas nas sentinelas viram o ônibus tombar em chamas. "Ele se incendiou imediatamente", relatou o guarda Andre à Rádio do Exército. "As pessoas fugiam como formigas". Ele viu uma recruta sentada na estrada, seu rosto coberto de sangue, aparentemente incapaz de se mover. Outro soldado a resgatou. Na primeira fila do ônibus, Levinger foi capaz de abrir a porta com um chute e escapar. Uma propaganda na traseira do ônibus foi destruída. Nela se lia: "Aos motoristas de ônibus, forças de segurança e equipes de resgate - obrigado de coração". O carro dirigido pelo homem-bomba se desintegrou. Testemunhas relataram que alguns passageiros ficaram presos entre as chamas, entre eles um homem e uma mulher que morreram abraçados.

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