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Motorista que atropelou e matou manifestante nos EUA admirava nazistas, diz seu professor 

Richard Spencer, um líder do movimento supremacista branco que criou o termo 'alt-right', disse que não conhecia James Alex Fields Jr., mas sabia que ele era membro da Vanguard America, que se autodenomina a 'face do fascismo americano'

O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2017 | 17h46

CHARLOTTESVILLE, EUA - O motorista identificado como James Alex Fields Jr. preso e acusado de atropelar e matar 1 pessoa e ferir 19 durante os protestos em Charlottesville (Virgínia) no sábado admirava e defendia ideais nazistas na escola, afirmou  seu professor de história, Derek Weimer.

Weimer foi professor de Fields por anos na Escola Randall K. Cooper, em Kentucky. Segundo ele, durante as aulas de Guerras Modernas Americanas, Fields produziu um aprofundado estudo  sobre os militares nazistas durante a Segunda Guerra. “Era óbvio que ele tinha essa fascinação com o nazismo e uma grande idolatria por Adolf Hitler”, disse Weimer, em entrevista ao Washington Post. “Ele tinha visões supremacistas. Ele realmente acreditava nessas coisas.” 

O professor afirmou que o projeto de pesquisa de Fields sobre militares nazistas era muito bem escrito e parecia ser um “grande amor pelos militares alemães e a Waffen-SS (esquadrão de elite nazista)”. 

Weimer acrescentou que, como professor, ele tentou, sem sucesso, afastar Fields da sua paixão pelos nazistas usando exemplos históricos e fatos.  “Quando você é um professor e vê um de seus ex-estudantes fazer algo assim, é um pesadelo”, disse Weimer. “Isso era algo que estava crescendo dentro dele. Eu admito que falhei. Eu tentei meu melhor, mas isso é definitivamente um momento na educação e algo que precisamos ser vigilantes porque essas coisas estão destruindo nosso país.” 

Vídeos no local do incidente registram o momento em que um Dodge Challenger é acelerado contra a multidão, jogando corpos pelos ares. Em seguida, ele dá ré e atropela mais pessoas. Testemunhas disseram que a rua estava repleta de manifestantes que se opunham aos supremacistas brancos, que chegaram à cidade levando bandeiras confederadas e símbolos antissemitas. 

Fields foi preso e acusado por assassinato em segundo grau, por ferir intencionalmente e por atropelar e fugir do local sem prestar atendimento aos feridos, segundo a polícia. Ele está sendo mantido preso sem direito à fiança e deve comparecer a uma corte nesta segunda-feira, 14. 

O secretário de Segurança Pública da Virgínia, Brian Moran, afirmou que Fields “era um terrorista por fazer o que ele fez”. O FBI e o gabinete da Procuradoria-geral no Distrito Ocidental da Virgínia informaram que abriram uma investigação sobre direitos civis para apurar o atropelamento letal. “A violência e as mortes em Charlottesville acertaram o coração da lei e da Justiça americanas”, afirmou o secretário de Justiça, Jeff Sessions, em um comunicado. “Quando ações como essas surgem da intolerância e do ódio racial, elas traem nossos valores e não podem ser toleradas.”

O pai de Fields foi morto por um motorista bêbado alguns meses antes de ele nascer, de acordo com um tio que falou ao Washington Post sem se identificar. O pai deixou um dinheiro para o filho que foi administrado por esse tio até ele atingir a idade adulta. “Quando ele completou 18 anos, pediu por seu dinheiro, e esse foi o último contato que tive com ele”, disse o tio. 

O rapaz, que cresceu no norte de Kentucky, foi criado somente pela mãe, paraplégica. O tio, que via Fields apenas em encontros de família, o descreveu como “não muito amigável, meio deprimido”. 

Richard Spencer, um líder do movimento supremacista branco que criou o termo “alt-right”, disse que não conhecia Fields, mas sabia que ele era membro da Vanguard America, que se autodenomina a “face do fascismo americano”.  Em um comunicado divulgado no Twitter no sábado, o grupo negou qualquer conexão com Fields. 

Em várias imagens que circularam pela internet, ele foi fotografado com o grupo usando um uniforme não oficial. Ele usava camiseta polo branca, calça caqui e óculos escuros. Em outras imagens, ele aparece segurando um escuto com o símbolo do Vanguard America. 

“O escuto visto não denota que ele era membro do grupo, nem sua camisa branca”, afirmou o grupo em um comunicado. “O escudo era gratuito para qualquer um que quisesse utilizá-lo.” / WASHINGTON POST  

 

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