Gabriela Biló/ Estadão
Gabriela Biló/ Estadão

Mourão diz que Bolsonaro vai cumprimentar 'na hora certa' vencedor da eleição nos EUA

Governo brasileiro mantém o silêncio sobre a vitória de Joe Biden até o momento

Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2020 | 11h42

BRASÍLIA - Enquanto o governo brasileiro mantém o silêncio sobre a vitória de Joe Biden nos Estados Unidos, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou, nesta segunda-feira, 9, que "na hora certa" o presidente Jair Bolsonaro irá transmitir os cumprimentos ao eleito nos EUA. Ele opinou que o Brasil "não corre risco" de ficar para trás nas relações com os Estados Unidos mesmo sendo um dos poucos países que ainda não comentou o resultado do pleito americano.

"Eu julgo que o presidente está aguardando terminar esse imbróglio aí de discussão se tem voto falso, se não tem voto falso, para dar o posicionamento dele. É óbvio que o presidente na hora certa vai transmitir os cumprimentos do Brasil a quem for eleito", disse em conversa com jornalista ao chegar no edifício da vice-presidência nesta manhã.

Aliado de Donald Trump, Bolsonaro deve aguardar um "quadro concreto" sobre a eleição norte-americana antes de se pronunciar. O atual chefe de Estado americano contesta o resultado o resultado na Justiça e alega, sem provas, que houve fraude no processo eleitoral com contagem de "votos ilegais".

Além de avaliar que o País não corre riscos de ter a relação afetada com o governo americano pelo atraso nos cumprimentos ao novo eleito, Mourão acrescentou que é uma questão de prudência esperar para se pronunciar.  

"Não julgo que corra risco (de ficar para trás), vamos aguardar, né. É uma questão prudente aí. Acho que essa semana define aí as questões que estão pendentes e aí a coisa volta ao normal e gente se prepara para o novo relacionamento que tem que ser estabelecido", disse.

Sobre possíveis mudanças na relação com os norte-americanos na área de meio ambiente, o vice-presidente destacou que "a questão ambiental é muito maior que a questão da Amazônia". Ele citou como exemplo problemas de saneamento básico em grandes cidades brasileiras, em especial na região da Amazônia. 

"Essa discussão não vai tá só em cima da Amazônia, estará em cima da questão, vamos botar aqui, daquilo que foi colocado no Acordo de Paris, que todos os países estão com dificuldade de cumprir", disse. Questionado se buscaria uma conversa direta com o governo americano sobre a política ambiental brasileira, Mourão disse que essa é uma atribuição do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

"Houve esse caso específico da viagem com os embaixadores porque eu conversei com o presidente (Bolsonaro) e ele me autorizou a fazer isso", emendou. Nesta segunda-feira, Mourão retorna ao expediente em Brasília depois de viagem pela Amazônia com embaixadores na semana passada. 

Ele avaliou a visita com os diplomatas de mais de dez países como "muito boa" e um caminho para a manutenção do diálogo com "os representantes de nações amigas".  Mourão observou, contudo, que o País ainda precisa "apresentar um resultado melhor do que a gente está apresentando" para a retomada de recursos estrangeiros na região, como Fundo da Amazônia.

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