Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Mourão diz que houve passo decisivo, sem volta, na Venezuela

Vice-presidente participa de uma reunião de emergência convocada pelo presidente Jair Bolsonaro para discutir o agravamento da situação na Venezuela

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2019 | 13h40

Brasília - O vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, disse ao Estado que a ida para as ruas de Juan Guaidó, presidente autoproclamado da Venezuela, e do líder oposicionista Leopoldo López, que estava em prisão domiciliar, mostra que "houve um passo decisivo, sem volta" na situação no país vizinho.

Mourão, que participa de uma reunião de emergência convocada pelo presidente Jair Bolsonaro para discutir o agravamento da situação na Venezuela, lembrou que "existem militares venezuelanos nas ruas, com braceleiras azuis, significando que estão ao lado de Guaidó", o que também é um avanço. "O temor é que eles (oposicionistas) não tenham apoio das Forças Armadas que julgam que tem e os militares possam reagir, provocando grave confronto nas ruas", comentou. 

Para o general, no entanto, é preciso aguardar as próximas horas para se saber exatamente o que poderá acontecer. Mas ressalvou que o fato de os oposicionistas terem tomado a base aérea, no centro da capital, é um dado a favor de Guaidó. 

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Mourão afirmou que não se tem informações concretas de onde está o presidente Nicolás Maduro. Como Maduro teria convocado as milícias para proteger o Palácio do Governo, Miraflores, acredita-se que seja para protegê-lo. Mas o vice-presidente não descarta a possibilidade de Maduro já ter saído do país ou estar procurando uma forma de sair. 

"Seria a melhor opção", comentou ele, citando que até agora Maduro não se pronunciou, o que "poderia significar que algo mais está acontecendo". Mourão reiterou, no entanto, que não dispõe de dados concretos sobre onde está Maduro. A avaliação é de que, se for sair para Cuba, o que consideram o mais provável, é que ele vá por Maiquetía, junto com seus principais auxiliares. 

"O presidente quer ouvir seus principais assessores e tomar pé da situação", comentou Mourão, acrescentando que há uma grande preocupação com a possibilidade de graves confrontos no país vizinho. Em relação à fronteira brasileira com a Venezuela, Mourão disse que a situação permanece tranquila e que todos os problemas, neste momento, estão concentrados na região de Caracas.

Segundo ele, a mudança de conduta de Guaidó e Lopez significa alteração na situação política, mas observou que, caso toda essa mobilização não dê certo e Maduro consiga resistir, certamente, todos acabarão presos e a crise tenderá a se agravar, uma vez que a Venezuela enfrenta problemas gravíssimos e está se deteriorando dia a dia, com prejuízos incalculáveis para a população. 

Desde que as movimentações começaram, os militares estão acompanhando de perto todo o desenrolar dos acontecimentos e há uma preocupação muito grande com o que poderá vir pela frente. Não há previsão de prontidão em fronteira e os militares reiteram que não há possibilidade de o governo brasileiro intervir no país vizinho ou entrar lá, embora as tropas brasileiras estejam sempre atentas para qualquer necessidade de atuação. O que existe é um apoio do governo brasileiro e reconhecimento a Juan Guaidó como presidente, além de apoio às sanções ao País. 

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