Giulio Napolitano / Bloomberg
Giulio Napolitano / Bloomberg

Itália aprova governo entre populistas e ultradireita

Giuseppe Conte apresentou sua lista de ministros ao presidente Mattarella, que deu sinal verde à formação

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

31 Maio 2018 | 11h44
Atualizado 31 Maio 2018 | 22h12

ROMA - A instabilidade política na Itália ganhou nesta quinta-feira um novo capítulo com o anúncio de que os populistas do Movimento 5 Estrelas (M5S) e o partido de extrema direita Liga chegaram a um acordo para permitir que o jurista Giuseppe Conte possa, enfim, tornar-se primeiro-ministro. 

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Depois do veto imposto pelo presidente da república, Sergio Mattarrella, aos nomes apresentados para formar o ministério do governo de coalizão, os líderes dos dois partidos eurocéticos, Luigi Di Maio e Matteo Salvini, escolheram um novo ministro da Economia, não tão contrário à União Europeia.

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Conte, que não tem experiência política, obteve nesta quinta-feira mesmo a aprovação de Mattarella, a quem apresentou sua lista de ministros, e deve tomar posse hoje. Di Maio, ficará com a nova pasta de Trabalho e Desenvolvimento Econômico, reflexo de suas promessas de caráter social, como o salário de cidadania. Salvini será ministro do Interior.

Imigração. Antes mesmo de tomar posse, Salvini adiantou nesta quinta-feira que “mandar para casa” os imigrantes será sua prioridade.

“As portas da Itália estão abertas para as pessoas boas, mas para os que vêm provocar problemas e querem ser mantidos para toda a vida, estes terão uma viagem de ida para casa”, declarou Salvini na cidade de Sondrio, perto da fronteira com a Suíça.

Ele também pediu ao futuro premiê que “preste atenção aos ¤ 5 bilhões que este ano serão destinados para ajudar os milhares de imigrantes que estão no país”. “Quero dar uma boa tesourada. Para mim, é muito dinheiro.”

No domingo, o próprio presidente anunciou o veto ao ministério da coalizão M5S-Liga advertindo que havia risco concreto de que o governo provocasse a saída da Itália da zona do euro e, por consequência, da própria UE. Isso porque o nome escolhido pela coalizão para o ministério da Economia havia sido o do economista Paolo Savona, que em inúmeras oportunidades manifestou seu desprezo pela moeda única e por Bruxelas, além de comparar o governo da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, ao de Adolf Hitler.

A nomeação levou Mattarella a retirar então sua aprovação à coalizão, impondo um inédito, mas Constitucional, veto aos dois partidos majoritários no Parlamento. No domingo, ele convidou o economista Carlo Cottarelli, ex-Fundo Monetário Internacional, ao cargo de premiê. Mas Cottarelli tinha apenas o apoio do Partido Democrático (PD, centro esquerda) no Parlamento. Na prática, o economista assumiria apenas para gerenciar os assuntos correntes do governo e marcar a data de novas eleições antecipadas.

Nesta quinta-feira, após três dias de turbulências nos mercados financeiros da Europa causados pelas incertezas sobre a Itália, Di Maio e Salvini anunciaram que as negociações para reformulação do ministério de Conte haviam sido bem-sucedidas e a coalizão estaria apta a assumir o poder. 

“O engajamento, a coerência, a escuta, o trabalho, a paciência, o bom senso, a razão e o coração, para o bem dos italianos”, afirmou Salvini, no Facebook. “Talvez tenhamos chegado a um acordo após tantos obstáculos, ataques e ameaças.” Na proposta “conciliadora” da coalizão, Savona não será mais ministro da Economia, mas ministro encarregado justamente das relações com a União Europeia.  

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