Movimento antigay cresce na África

Crise econômica aumenta papel de grupos religiosos, que atacam homossexualidade

LAIS CATTASSINI, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2013 | 02h04

Grupos religiosos da Etiópia estão pressionando o governo para aprovar uma lei que prevê a pena de morte para homossexuais. A perseguição a gays tem ganhado apoio legal e se convertido em política de Estado em diversos países africanos.

Um projeto semelhante ao da Etiópia deve ser votado em breve pelos Parlamentos de Uganda e Nigéria. Na Líbia, há projetos de lei proibindo a união gay sob ameaça de prisão.

No ano passado, uma conferência religiosa na Etiópia deu início à ação do grupo United for Life Ethiopia - entidade que combate os gays e defende punição severa aos que forem pegos em atos de "sodomia". O grupo afirma que o comportamento homossexual é uma influência da cultura ocidental e, portanto, não deve ser aceito na África.

Apesar de ainda não terem sido aprovados, os projetos indicam a tendência de mais repressão aos gays no continente. "Isso é uma resposta à maior aceitação de gays em países desenvolvidos. A homossexualidade sempre foi parte da cultura africana. O que muda agora é que, em parte por inspiração dos países desenvolvidos, a homossexualidade está mais aberta", afirmou ao Estado Colin Stewart, ativista e editor do blog Erasing 76 Crimes, sobre países com leis contra homossexuais.

O coordenador regional da Comissão Internacional de Direitos Humanos, Gays e Lésbicas, Damian Ugwu, explica que a situação econômica desses países também colabora para que o preconceito aumente. "As pessoas tornaram-se mais religiosas em razão da situação econômica. Com isso, a religião também se tornou uma força política", afirmou. Ugwu acredita ser possível que leis como essas sejam aprovadas. "As pessoas já estão usando o projeto como desculpa para agredir homossexuais", afirma.

Grupos religiosos são responsáveis por quase todos os projetos, que não são barrados nos órgãos políticos, enquanto ativistas enfrentam barreiras para defender os direitos de grupos LGBT. "Nesses países, homossexuais podem ser presos apenas por 'parecerem gays'. Muitos morrem de aids e outras doenças porque são excluídos do sistema de saúde, formal e informalmente", afirma Stewart.

As organizações relatam que gays e lésbicas estão sendo torturados e perseguidos, optando por deixar a Etiópia e outros países do Continente Africano e buscar ajuda em países da Europa e nos Estados Unidos.

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