REUTERS/Joshua Roberts
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Movimento conservador discute cenário liderado por Trump nos EUA

Conferência terá a participação do presidente americano nesta sexta-feira; o magnata discursou pela primeira vez no evento realizado anualmente em 2011

O Estado de S. Paulo

23 Fevereiro 2017 | 18h01

WASHINGTON - O movimento conservador americano se reúne nesta quinta-feira, 23, perto de Washington para a sua conferência anual, num cenário ideológico marcado pela chegada ao poder de Donald Trump, um outsider outrora desprezado pelos militantes, mas, hoje, celebrado. "Fomos agradavelmente surpreendidos com o que Trump começou a fazer", afirma Steve Hanly, um piloto de 61 anos do Texas que foi à conferência com sua mulher e o filho de 19 anos.

As primeiras decisões presidenciais do bilionário, incluindo as suas medidas anti-aborto e a nomeação de um juíz conservador para a Suprema Corte, convenceram a família de partidários do ex-candidato presidencial Ted Cruz, um ultraconservador, mesmo Trump não sendo um "verdadeiro conservador".

Durante a campanha, Trump fez uma curva à direita, mas continua a defender um programa de grandes obras públicas, e sua retórica isolacionista e protecionista é um anátema para alguns de seu campo.

Há seis anos, ele falava pela primeira vez na Conferência para a Ação Política Conservadora (CPAC), criada em 1973. Vaiado por ter insultado um dos queridinhos libertários dos militantes, Ron Paul, Trump também foi aclamado por sua denúncia da classe política tradicional e por tratar a China e o México como adversários econômicos.

Nesta sexta-feira, o atual presidente americano deverá ser aclamado como o salvador do Partido Republicano, no poder no Congresso e na Casa Branca.

"Eu sou velho o bastante para lembrar os dias em que os republicanos estavam desesperadamente na oposição", diz Charles Quilhot, ex-corretor de seguros de 60 anos, que vive na Virginia. O primeiro mês de governo de Donald Trump foi agitado, opima, "mas ainda sim é melhor do que a alternativa", acrescenta o militante pragmático, se referindo à Hillary Clinton.

A ala populista, nacionalista e de extrema direita, encarnada pela primeira vez pelo Tea Party e mais recentemente pelos partidários de Trump, assumiram gradualmente as rédeas. O site de notícias pró-Trump e anti-establishment Breitbart é um apoiador oficial. O antigo chefe do site, Stephen Bannon, tornou-se o poderoso consultor estratégico do presidente americano e discursou nesta quinta na conferência.

Avaliação. A gratidão dos republicanos por Trump ter derrotado Hillary supera qualquer reserva sobre o caos das primeiras semanas e os atrasos nas grandes reformas prometidas, incluindo a revogação do Obamacare e o Big Bang fiscal. "Trump atraiu muitas pessoas para o campo conservador", comenta Nakayla Irvin, uma estudante de 18 anos. "Mas ele também sabe que sem o apoio dos conservadores, não vai fazer muita coisa".

Os republicanos esperam que o presidente continue a agir, pouco importa se ele continua a tuítar. "Não me importa o que ele diz, desde que ele faça", observa Eric Golub, de 45 anos, que se descreve como um humorista conservador. "Barack Obama dizia palavras magníficas. Seus resultados foram péssimos".

A CPAC começou nesta quinta-feira de manhã com a fala de Kellyanne Conway, de 50 anos, ex-diretora de campanha de Trump que se tornou conselheira na Casa Branca, adulada pelos militantes. Questionada sobre a influência de seu chefe sobre o movimento conservador, ela respondeu que a conferência CPAC já foi convertida para a era Trump: "amanhã vai se tornar o T-CAP". /AFP

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