Movimento Tea Party arrasta republicanos para a ultradireita

Com eleitorado cativo e financiamento, candidatos descontentes com 'o sistema' tiraram força de moderados

, O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2010 | 01h00

Assim como no pequeno Delaware, as eleições de 2010 nos EUA estão marcadas pela presença do Tea Party. O movimento nascido no ano passado reflete a "irritação" de uma parcela dos americanos diante da economia estagnada e das soluções "liberais" e "socialistas" adotadas pela Casa Branca.

A proposta é o retorno a uma alternativa "ultraconservadora", marcadas por ideias tão inusitadas como a eliminação da receita federal. Com esse apelo, o Tea Party tomou conta de 70% dos eleitores do Partido Republicano e concorre com 138 candidatos para as cadeiras disponíveis da Câmara dos Deputados e do Senado americano.

Incensado por duas celebridades que não estão na disputa de 2 de novembro, a ex-governadora do Alasca Sarah Palin e o apresentador da Fox News Glenn Beck, o movimento se divide em diferentes facções, como o Tea Party Express e o Freedom Works. Todos são altamente eficientes em matéria de arrecadação de fundos e estão unidos pela defesa do Estado mínimo e da aplicação literal da Constituição americana. Em resumo, o grupo é contrário a qualquer medida do governo que interfira nas decisões e na vida privada dos cidadãos.

Mesmo com recursos financeiros e insatisfação popular abundantes nesta época de crise, várias das candidaturas do Tea Party prejudicaram as chances do próprio Partido Republicano nas eleições de novembro.

Christine O"Donnell é um exemplo. Tende a perder a vaga de Delaware no Senado para o democrata Chris Coons, que teria enorme dificuldade de vencer a eleição se o seu oponente fosse o veterano republicano Mike Castle. Dos 129 candidatos do Tea Party para a Câmara, apenas 33 têm chances reais de vitória, por concorrerem em sólidos distritos republicanos.

No Senado, oito dos nove concorrentes do Tea Party podem vencer.

Segundo Julio Carrión, cientista político da Universidade de Delaware, o Tea Party conseguiu polarizar ainda mais o cenário eleitoral nos EUA. Republicanos moderados, como o ex-candidato à presidência John McCain, senador pelo Arizona, tomaram bandeiras mais conservadoras em função da atração do eleitorado pelas ideias do Tea Party.

A oposição do movimento é cada vez mais acentuada em relação à administração democrata de Barack Obama, cuja nacionalidade americana e fé cristã é posta publicamente em dúvida por estrelas do Tea Party, como Glenn Beck.

"Esta eleição será crucial. Obama tem potencial para fazer uma mudança na política americana, como fizeram os presidentes Franklin Delano Roosevelt e Ronald Reagan", afirmou Carrión. "Mas, se os democratas perderem, Obama não fará mais do que Bill Clinton fez."

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