Moyano promove greve e ataca Cristina Kirchner

Hugo Moyano, líder da principal central sindical argentina, ratificou nesta quarta-feira seu distanciamento da presidente Cristina Kirchner, que já foi sua fiel aliada, ao exigir que ela deixe de lado sua "soberba" e atenda aos pedidos dos trabalhadores.

AE, Agência Estado

27 de junho de 2012 | 19h56

O poderoso sindicato de caminhoneiros encabeçado por Moyano e outros grupos sindicais ligado a ele por meio da Confederação Geral do Trabalho (CGT) realizaram uma greve nacional de um dia nesta quarta-feira que teve como ato principal uma mobilização na Praça de Maio, em Buenos Aires, onde o sindicalista fez um discurso cheio de críticas à Cristina.

"Não custaria nada à senhora presidenta...dialogar com os trabalhadores e com outros setores...isso demonstra a grandeza de quem conduz os destinos do país. Espero que com sua capacidade de inteligência que dá a entender se dê conta que não pode seguir com essa soberba", disse Moyano, perante milhares de trabalhadores que lotaram a praça, onde também se encontra a sede do governo.

Cristina Kirchner preferiu viajar durante os protestos para a província de San Luis, oeste do país, para inaugurar uma fábrica de processamento de embutidos.

O protesto encabeçado por Moyano foi o primeiro deste tipo desde que o kirchnerismo chegou ao poder, em 2003. Até alguns meses atrás, Moyano era um incondicional aliado de Cristina e de seu antecessor, Néstor Kirchner, mas nos últimos meses sua relação com a presidente piorou e o diálogo entre os dois se rompeu.

Uma das principais exigências de Moyano é que o Executivo eleve a dedução fiscal sobre os salários, uma antiga demanda, para que o poder aquisitivo dos trabalhadores aumente, tendo em vista que a inflação anual do país é de 25%. O sindicalista também exige que os subsídios recebidos por filhos de desempregados, trabalhadores de baixa renda e informais sejam extensíveis a todos os empregados.

A paralisação não teve forte impacto no transporte de passageiros e o comércio funcionou quase que normalmente em Buenos Aires e em outras cidades importantes como Rosário e Córdoba, onde os principais sindicatos não apoiam Moyano.

Mas funcionários públicos, professores, integrantes do judiciário e da área da saúde ligados à CGT marcharam em várias províncias. Moyano destacou seu desacordo com o estilo do governo de "fazer tudo como se fosse uma ditadura". "Nós não atacamos (o Executivo), reclamamos o que, legitimamente, corresponde aos trabalhadores", afirmou. As informações são da Associated Press.

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