Arnulfo Franco/AP
Arnulfo Franco/AP

MP do Panamá faz diligências em casas dos sócios da Mossack Fonseca

Promotores apreenderam documentos para ajudar na investigação do caso Odebrecht; trabalhadores protestaram nesta sexta

O Estado de S.Paulo

11 Fevereiro 2017 | 01h45

CIDADE DO PANAMÁ - Promotores apreenderam nesta sexta-feira, 10, documentos e computadores das residências dos sócios do escritório de advocacia Mossack Fonseca, acusado de lavagem de dinheiro, como parte das investigações locais do esquema de propina comandado pela construtora brasileira Odebrecht.

Veículos e funcionários do Ministério Público chegaram na tarde de sexta às residências de Ramón Fonseca Mora, ex-ministro conselheiro do presidente Juan Carlos Varela, e de Jurgen Mossack. Os dois advogados estão detidos preventivamente na Cidade do Panamá desde quinta-feira, 9, quando foram interrogados por procuradores.

Era esperado que o interrogatório continuasse nesta sexta-feira, uma vez que ambos passaram a noite na polícia, porém o Ministério Público suspendeu os depoimentos enquanto eram realizadas as diligências nas casas dos advogados.

Em frente à sede da procuradoria-geral do país, sindicalistas e trabalhadores de obras que a Odebrecht administra no Panamá fizeram uma manifestação. Eles pediam a investigação completa do caso e a responsabilização dos acusados.

O MP acusa a Mossack Fonseca de ter feito instruções à sua filial no Brasil para ocultar documentos ou evidências de dinheiro provenientes de propinas. No entanto, a firma panamenha defende que o escritório brasileiro tinha gestão independente.

A defesa dos advogados entrou com pedido de liberdade, mas a justiça panamenha ainda não autorizou

Nesta quinta, ao ser interrogado por promotores, Fonseca disse que ele é um "bode expiatório" para distrair a atenção e não se investigar a fundo os subornos da Odebrecht no país. Ele afirmou ainda que o presidente Varela garantiu a ele que recebeu recursos da empreiteira brasileira.

Por sua vez, Varela divulgou nesta sexta-feira a lista completa de doadores de sua campanha presidencial de 2014, que arrecadou US$ 9,73 milhões. No documento constam doações de bancos, empresas telefônicas e da própria Mossack Fonseca. Não há nenhuma menção à Odebrecht. Há a suspeita, porém, que o escritório de advocacia tenha sido usado como intermédio de propinas. / AP e EFE

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