ERNESTO BENAVIDES / AFP
ERNESTO BENAVIDES / AFP

MP do Peru adia assinatura de acordo com Odebrecht

José Domingo Pérez, membro da equipe especial que investiga a empreiteira no país, diz que suspensão se deve aos atrasos causados pela crise no Judiciário em razão das medidas recentes do procurador-geral; pacto seria ratificado no dia 11

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2019 | 14h00

LIMA - O promotor peruano José Domingo Pérez, membro da equipe especial que investiga o caso Odebrecht em seu país, anunciou nesta quinta-feira, 3, que o acordo de colaboração (espécie de delação premiada) com a empresa brasileira não será assinado no dia 11, como previsto, em razão da crise no Ministério Público do Peru.

"No dia 11 não vamos ao Brasil e também não interrogaremos Jorge Barata e outros funcionários (da Odebrecht) nos dias 13, 14, 15 e 16. Esperamos que isso ocorra o mais rápido possível", declarou Pérez.

O promotor indicou que esta suspensão da assinatura do acordo, concluído em dezembro, se deve aos atrasos causados pela decisão do procurador-geral peruano, Pedro Chávarry, de destituí-lo junto com o chefe da equipe especial, Rafael Vela.

Chávarry anunciou esta medida no dia 31 poucas horas antes do ano-novo, mas diante do grande rechaço político e popular, voltou atrás na quarta-feira e reconduziu os dois promotores aos seus cargos.

"Lamentavelmente, a decisão de Pedro Chávarry faz com que tenhamos que fazer essas gestões, mas sobre isso quem está encarregado é o doutor (sic) Rafael Vela, que comunicará as novas datas em que essas diligências serão realizadas", detalhou Pérez.

A equipe de promotores peruanos chegou a um acordo de colaboração com os diretores da Odebrecht em dezembro. A empresa se comprometeu a entregar informações e documentos relevantes sobre o pagamento de suborno e da entrega de aportes econômicos a funcionários públicos e políticos peruanos.

Como parte deste acordo, foram programados interrogatórios no Brasil relacionados às investigações em andamento contra os ex-presidentes Alan García e Alejandro Toledo, a ex-primeira-dama Nadine Heredia e a ex-prefeita de Lima Susana Villarán.

"Estamos esperando que sejam restabelecidas essas coordenações que já estavam em andamento. Não seriam realizados no Peru e já se estava trabalhando com autoridades brasileiras e as agendas das ditas autoridades já estão estabelecidas não só com o Peru, mas com outros países latino-americanos", completou.

O promotor também reiterou seu pedido de que Chávarry não só renuncie ao cargo de procurador-geral, como exigem políticos e outras autoridades do país, mas que também deixe seu cargo na junta de procuradores supremos.

"Creio que seria uma decisão que é consequência dos atos que ele realizou e que desprestigiam o Ministério Público. Isso permitiria o andamento normal da instituição que voltaria a ganhar a confiança da sociedade", afirmou Pérez.

Um grupo de procuradores supremos mostrou preocupação em razão da crise de legitimidade do MP causada pela decisão de Chávarry, o que levou o presidente peruano, Martín Vizcarra, a apresentar um projeto ao Congresso para que o órgão fosse colocado em estado de emergência - o que permitiria a nomeação de uma espécie de interventor.

Esta proposta teve o apoio de líder opositora Keiko Fujimori, que cumpre pena de prisão preventiva de 36 meses enquanto é investigada por suposta lavagem de dinheiro.

Além de Keiko e Alan García, as investigações do caso Odebrecht no Peru também envolvem os ex-presidentes Ollanta Humala e Pedro Pablo Kuczynski.

Até agora, a Odebrecht reconheceu o pagamento de subornos milionários no Peru entre 2005 e 2014, acompanhados por doações em dinheiro aos principais líderes políticos para financias suas campanhas eleitorais à presidência do país. / EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.