MP indicia ex-prefeito por sumiço de estudantes no México

José Luis Abarca, que governava cidade de Iguala é apontado como 'provável mentor' do crime; ao menos 74 suspeitos já foram presos

LOURIVAL SANT'ANNA, ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2014 | 02h01

IGUALA, MÉXICO - O Ministério Público do Estado de Guerrero acusou ontem formalmente o prefeito destituído de Iguala, José Luis Abarca, pelo desaparecimento de 43 estudantes, provavelmente mortos na noite de 26 de setembro pela polícia municipal e pelo cartel Guerreros Unidos. O ex-prefeito, preso desde o dia 4 juntamente com sua mulher, María Ángeles Pineda, é apontado como o "mentor" do crime.

Ao menos 74 pessoas estão presas por envolvimento no caso, incluindo policiais e integrantes do cartel, que confessaram ter matado os estudantes, queimado seus corpos e jogado no lixão da cidade ou em um rio. De acordo com a Procuradoria-Geral da República, a polícia municipal matou uma parte dos estudantes e entregou os restantes aos matadores do cartel. Moradores do local onde os três ônibus que levavam os jovens foram cercados e metralhados contaram ao Estado ter ouvido disparos entre 21 horas e 23 horas de 26 de setembro.

Ainda segundo as investigações da Procuradoria-Geral, o prefeito ordenou ao secretário de Segurança do município, Felipe Flores, que impedisse os estudantes de se manifestar naquela noite, quando sua mulher apresentaria sua prestação de contas como presidente do DIF, órgão municipal de assistência social. "Houve uma festança no Zócalo", lembrou uma comerciante, referindo-se à praça principal da cidade. "Os estudantes vieram para escrachar a festa", disse outro morador.

Os manifestantes, que pertencem a movimentos de esquerda, faziam o curso de formação de professores na Escola Normal Rural Raúl Isidro Burgos, em Ayotzinapa, a quase duas horas de Iguala. Eles mantinham uma antiga rixa com o prefeito, acusado de envolvimento na tortura e execução de três líderes da União Popular, grupo militante de esquerda.

Depois de suas mortes, em 30 de maio de 2013, os estudantes depredaram o prédio da prefeitura de Iguala. Eles vinham com frequência para a região, onde faziam saques e bloqueavam estradas, cobrando "pedágios" de motoristas. Na época do suposto massacre, estavam arrecadando dinheiro para uma marcha para lembrar o massacre de Tlatelolco, ocorrido em 1968.

A onda de manifestações pelo desaparecimento dos 43 estudantes continuou ontem no Estado de Guerrero, onde se situam Iguala e Ayotzinapa. Na capital do Estado, Chilpancingo, manifestantes formados em escolas para professores rurais saquearam nove caminhões carregados de mercadorias. Eles disseram que elas seriam distribuídas entre comunidades rurais.

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