REUTERS/Daniel Tapia
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MP pede que vice-presidente seja proibido de deixar o Equador por caso Odebrecht

Procurador-geral do país solicitou a medida cautelar em uma audiência nesta terça; dez pessoas, incluindo funcionários da venezuelana PDVSA, da equatoriana Petroecuador, além do ex-controlador Carlos Pólit, são investigados no caso

O Estado de S.Paulo

29 Agosto 2017 | 16h02

QUITO - O Ministério Público (MP) do Equador pediu nesta terça-feira, 29, para a Corte de Justiça proibir a saída do país do vice-presidente Jorge Glas, investigado pelo caso de corrupção envolvendo a construtora brasileira Odebrecht.

O procurador-geral, Carlos Baca, solicitou a medida cautelar em uma audiência em que o vice-presidente foi envolvido no caso, ao lado de outras dez pessoas. Glas é suspeito de um delito de associação ilícita para obter benefícios em contratos. 

José Conceição Filho, ex-diretor da Odebrecht no Equador, confessou ter pago pelo menos US$ 14,1 milhões a Glas em troca de contratos com o governo. O vice-presidente, no entanto, garante que as reuniões com funcionários da Odebrecht foram para exigir a reparação de obras e nega qualquer vinculação na trama de pagamento de subornos. 

Entre os investigados, estão ex-funcionários da construtora, da petroleira estatal venezuelana PDVSA, da equatoriana Petroecuador e Carlos Pólit, ex-controlador que foi destituído pelo Congresso, de maioria governista. 

Baca indicou que há "fundamentos" para processar Glas, de quem o Parlamento retirou a imunidade, para que eventualmente pudesse ser condenado. O vice-presidente ainda não enfrenta uma acusação formal dentro do processo, pelo qual seu tio Ricardo Rivera já cumpre prisão domiciliar - por ter mais de 65 anos.

O MP também pediu a prisão preventiva de seis investigados, alguns deles estrangeiros ex-diretores da Odebrecht e da PDVSA que estão fora do Equador, bem como para Pólit, que está nos Estados Unidos. Um juiz da Corte Nacional de Justiça vai decidir em breve se aceita os pedidos do procurador Baca. 

Glas foi responsável desde 2007 por setores estratégicos do Equador e a partir de 2013 se tornou vice-presidente.

Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a Odebrecht pagou US$ 33,5 milhões a funcionários públicos no Equador entre 2007 e 2016 para obter contratos de obras públicas no país.

As investigações em curso no Equador pelo caso Odebrecht prenderam dez pessoas no país, entre elas o ex-ministro de Eletricidade Alecksey Mosquera, grande aliado de Glas.  / AFP

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