REUTERS/Mariana Bazo/ Files
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MP peruano requer prisão de ex-primeira-dama

Nadine Heredia deixou o Peru depois de ser nomeada por um ex-ministro de Lula para um cargo na FAO, que lhe dará imunidade diplomática

Jamil Chade, Correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2016 | 20h47

Investigada por supostamente ter recebido propinas de empreiteiras, a ex-primeira-dama do Peru Nadine Heredia ganhou imunidade diplomática após ser nomeada por um ex-ministro do governo Lula para um cargo na Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). O Ministério Público pediu a prisão preventiva de Nadine, mas ela já havia deixado o Peru. 

Sua nomeação foi assinada pelo diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, abrindo uma crise com Lima. A mulher do ex-presidente Ollanta Humala é investigada por lavagem de dinheiro e a chancelaria peruana decidiu “protestar oficialmente” diante da escolha. O Congresso em Lima também aprovou por unanimidade uma moção solicitando à ONU que cancele a designação.

Ao Estado, a diretora de Comunicação da ONU, Alessandra Velucci, confirmou que o cargo que Nadine ocupará prevê o benefício de imunidade diplomática. Juristas ouvidos pela reportagem indicaram que esse privilégio não a isentará de um processo nem de responder a questões de juízes. Mas pode restringir certas ações da polícia.

Ela é acusada na Justiça peruana de ter recebido dinheiro de construtoras brasileiras para a eleição de Humala em 2011. O Ministério Público do Peru ainda a acusa de receber um porcentual de dinheiro destinado pelas empresas para a construção de um hospital. 

Graziano, antes de assumir a entidade com sede em Roma, foi ministro do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e responsável pelo programa Fome Zero. Nesta sexta-feira, o presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, alertou que a FAO “deve ser consciente” de que existia uma investigação contra sua diretora. 

Segundo documentos obtidos pelo Estado, Graziano publicou a nomeação na segunda-feira e ela assumiria as funções na quinta-feira. Um boletim emitido pelo gabinete de Graziano e assinado por ele, aponta que a ex-primeira-dama tem doutorado na Sorbonne, França, e por dez anos atuou como consultora em questões de assistência internacional. Em sua descrição, Graziano destaca como Nadine usou a presidência de seu marido para fazer campanhas por questões sociais.

Tanto a ex-primeira dama como Humala são investigados por lavagem de dinheiro em um esquema que poderia ter movimentado US$ 1,5 milhão. O dinheiro, segundo investigadores, teria vindo do Brasil e da Venezuela, alimentando as campanhas eleitorais de Humala em 2006 e 2011.

 

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