Kimimasa Mayama/ EFE
Kimimasa Mayama/ EFE

Imperador Akihito pede continuidade da paz em seu 85º aniversário

Chefe de Estado japonês se pronuncia pela última vez antes de sua abdicação, prevista para 30 de abril

EFE, O Estado de S.Paulo

23 Dezembro 2018 | 04h23

Tóquio - Em comemoração ao seu 85º aniversário, o imperador Akihito disse estar reconfortado porque o fim de seu reinado está acontecendo com o país em paz. Ele ainda pediu para que o Japão continuae nesse caminho. 

"Reconforta-me profundamente que a era Heisei (a do seu reinado) esteja chegando a seu final, livre de guerra no Japão", disse Akihito durante entrevista coletiva três dias atrás no palácio imperial de Tóquio e divulgada hoje, na qual afirmou a importância de não esquecer os horrores bélicos.

Trata-se da última vez prevista em que Akihito envia uma mensagem ao público em entrevista coletiva. É também a última vez que comemora aniversário como chefe de Estado, antes da sua abdicação no dia 30 de abril de 2019, após um reinado marcado pelo seu pacifismo e pela proximidade ao povo japonês. Será a primeira abdicação em quase dois séculos. 

Akihito disse acreditar ser "importante não esquecer as incontáveis vidas que foram perdidas na Segunda Guerra Mundial, e que a paz e a prosperidade do Japão pós-guerra foram construídas sobre vários sacrifícios e esforços incansáveis", pedindo para que a história seja contada "com precisão" para as novas gerações.

O imperador japonês lembrou a queda do muro de Berlim em 1989, primeiro ano do seu reinado, e como se transformou em símbolo do fim da Guerra Fria, trazendo esperanças de tempos de paz mundial.

"O desenvolvimento global posterior não foi necessariamente na direção que desejávamos. Me dói o coração que tenham acontecido disputas étnicas e conflitos religiosos, que várias vidas tenham sido perdidas por atos de terrorismo, e que um grande número de refugiados continue sofrendo dificuldades hoje no mundo", declarou.

Akihito também consolou os afetados por uma série de desastres naturais e afirmou que as catástrofes deste tipo que o Japão sofreu nas suas três décadas de reinado deixaram "uma impressão indelével" em sua mente.

"Não posso esquecer os desastres naturais que aconteceram com maior frequência que em anos anteriores. Fortes chuvas, terremotos e tufões nos quais muita gente morreu, enquanto outros muitos perderam a base de sua subsistência", lamentou o imperador.

Ele disse que não tem palavras "para descrever a profunda tristeza que sente quando pensa nisto", mas ao mesmo tempo se sente encorajado ao ver que "diante de tais dificuldades, o espírito de voluntariado e outras formas de cooperação cresce entre o povo".

Sobre sua abdicação, o ainda imperador disse que desde que subiu ao trono se perguntou qual é a melhor forma de desenvolver as funções de "símbolo do Estado" que a Constituição lhe outorga, e que vai continuar se esforçando nos meses que restam.

"O príncipe herdeiro Naruhito e seu irmão, o príncipe Akishino, acumularam experiência e acredito que, enquanto continuarem com as tradições da família imperial, vão continuar em seu caminho, ao mesmo tempo em que a sociedade sofre uma contínua mudança", acrescentou Akihito. /EFE

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