MSF alerta para risco de epidemias

De acordo com Emmanuel Roussier, chefe da missão dos Médicos sem Fronteiras (MSF) em Agok e Abyei, no sul do Sudão, o fluxo migratório de retorno dos habitantes deve expor essa população a doenças endêmicas na região. E pode causar epidemias, já que essas pessoas não foram imunizadas nas últimas campanhas de vacinação que a entidade promoveu no local. Os dados do MSF apontam que 75% da população sudanesa do sul não tem nenhum acesso à assistência médica.

, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2011 | 00h00

O maior problema neste sentido, segundo Roussier, é a ocorrência de meningite. Para prevenir-se, o MSF está organizando uma ampla imunização contra a doença, que pretende vacinar 70% da população (todos com até 40 anos) do sul do Sudão. "Estamos nos preparando para esta possibilidade", disse, lembrando que a última imunização em massa contra a meningite ocorreu há quatro anos, tempo suficiente para que um novo surto ocorra.

Outras doenças, porém, também podem virar epidemia, como sarampo, poliomielite. Entre 25 de dezembro e 1.º de janeiro, o MSF vacinou 13 mil crianças e adolescentes no Estado de Warrap contra as enfermidades - estima-se que apenas 10% da população nesta faixa etária esteja devidamente imunizada. No dia 8, foi a vez de os migrantes serem vacinados na localidade, de acordo com o MSF.

A cidade de Malkal, no Estado do Alto do Nilo, iniciou no dia 30 de dezembro a imunizar os sudaneses do sul retornados. "Temos grande ajuda do Ministério da Saúde (constituído no sul do Sudão)", contou Roussier. Atualmente, quase 2 mil locais integram o MSF na região, junto com cerca de 200 estrangeiros - segundo o chefe da missão, principalmente quenianos, ganeses, australianos e europeus, entre médicos e enfermeiros.

A leishmaniose e a malária, também de alta ocorrência endêmica no sul do Sudão, são alvo de mais campanhas de prevenção e assistência no sul do Sudão, segundo o MSF.

Para Roussier, outro grande problema da área é a alta mortalidade de mães durante o parto. Segundo o Ministério da Saúde local, no ano passado a taxa foi de 2.054 mortes a cada 100 mil nascimentos. Entre os bebês, a situação também é crítica: 102 morreram em 2010 a cada 1.000 nascimentos.

Roussier explica que o difícil acesso às poucas unidades médicas na região é o que provoca e agrava quase todos os problemas de saúde no sul do Sudão. Além da péssima qualidade da água e da dificuldade para preservar medicamentos e vacinas em temperaturas adequadas, pois o fornecimento de energia tem problemas constantemente.

A Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que até 2,7 milhões de habitantes do novo país poderão precisar de ajuda para se alimentar adequadamente depois do referendo. Na melhor das hipóteses, segundo o organismo, 1,4 milhão poderão ficar desnutridos este ano. No ano passado, porém, a situação da fome melhorou na região.

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