MSF diz que resposta ao ebola é muito lenta

A resposta internacional ao ebola ainda é muito lenta e fragmentada, advertiu nesta terça-feira o grupo humanitário Médicos Sem Fronteiras (MSF), mesmo dia em que o Banco Mundial divulgou relatório sobre o impacto da doença na economia dos três países africanos mais atingidos.

Estadão Conteúdo

02 de dezembro de 2014 | 12h22

O ebola infectou cerca de 17 mil pessoas, das quais por volta de 6 mil morreram, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). A grande maioria das infecções foi registrada na Guiné, Libéria e Serra Leoa, países pobres que foram deixados sozinhos para lidar com a crise sem ajuda suficiente, disse que o grupo.

"Governo estrangeiros se concentraram principalmente no financiamento e na construção de estruturas para a gestão do ebola, deixando sob responsabilidade dos governos, serviços de saúde locais e organizações não-governamentais, que não têm a expertise necessária, encontrar funcionários para trabalhar nesses locais", disse o MSF, que é um importante provedor de tratamento para a doença, em comunicado divulgado nesta terça-feira.

O grupo reiterou seu pedido para que países que tenham grupos de resposta a desastres biológicos que os enviem para os países afetados.

Além de matar milhares de pessoas, o surto de ebola, que foi identificado em março, na Guiné, fechou hospitais, escolas e mercados, dificultando o comércio entre países e levou à suspensão de voos de companhias aéreas.

Por essa razão, o Banco Mundial reduziu novamente nesta terça-feira as projeções de crescimento dos países mais afetados, após um corte anterior, feito em outubro.

A economia da Guiné vai crescer apenas 0,5% neste ano, abaixo da expectativa de 4,5% antes do início da crise, disse o banco em seu último comunicado sobre o impacto do ebola. Serra Leoa deve registrar crescimento econômico de 4%, ante expectativa pré-ebola de 11,3%, enquanto a Libéria vai crescer 2,2%, abaixo dos 5,9% previstos anteriormente.

Os efeitos econômicos devem piorar na Guiné e em Serra Leoa no ano que bem, quando as duas economias devem encolher, segundo o documento do Banco Mundial.

"Este relatório reforça o por que o objetivo deve ser zerar os casos de ebola", disse Jim Yong Kim, presidente do Banco Mundial. "Embora haja sinais de progresso, enquanto a epidemia continuar, o impacto humano e econômico só vai se tornar mais devastador."

O Banco Mundial prometeu cerca de US$ 1 bilhão para os três países. Metade desse valor foi gasto em medidas emergenciais de resposta ao surto. Fonte: Associated Press.

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