AFP
AFP

MSF pede proteção da ONU em áreas de conflito

Nações Unidas debatem hoje a questão em meio ao aumento de incidentes com ONGs que prestam atendimento médico

Luiz Raatz, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2016 | 19h30

O Conselho de Segurança da ONU debate nesta quarta-feira a proteção de atividades médicas em zonas de conflitos em meio ao aumento de incidentes com ONGs que trabalham em países como Iêmen, Síria e Afeganistão. Somente no Iêmen, país do Golfo Pérsico, dois ataques lançados pela coalizão liderada pela Arábia Saudita contra radicais xiitas mataram 20 pessoas. 

A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) pediu ajuda da ONU para que a resolução aprovada em maio se converta em ações. “Esperamos que se entenda que a resolução ficou apenas nas palavras, mas a situação no terreno não melhorou, especialmente em Alepo (Síria) e no Iêmen”, disse ao Estado Teresa Sancristóval, coordenadora de emergências para o Iêmen da MSF. “Esperamos uma boa reflexão para que tomem medidas que não fiquem apenas nas palavras.”

Há pouco mais de um mês, o hospital da cidade de Abs foi bombardeado em um ataque da coalizão. Ao menos 19 pessoas morreram. A clínica de Taiz (montada em tendas de campanha), voltada para o atendimento materno-infantil, foi atingida por bombardeio em dezembro. 

Ainda de acordo com a coordenadora do MSF no Iêmen, os seis hospitais ainda apoiados pela ONG estão sem médicos e enfermeiros em razão da falta de condições de segurança no local. Apesar dos ataques, ainda de acordo com a ONG, todas as partes envolvidas na guerra civil iemenita – sauditas, radicais sunitas próximos à Al-Qaeda e milícias xiitas – são informados das coordenadas dos hospitais para evitar incidentes. 

“Não podemos confiar que a situação seja segura para pacientes e nosso pessoal”, acrescentou Teresa Sancristóval. “Depois de quatro incidentes graves em nossas unidades médicas, não digo que sejamos um alvo, mas a maneira como a guerra tem se desenvolvido não é suficientemente cuidadosa. Ninguém toma medidas para evitar isso”, declarou.

Diferenças. Ainda nesta terça-feira, a Médicos Sem Fronteiras divulgou uma nota na qual também pediu medidas efetivas da comunidade internacional para salvaguardar suas instalações em zonas de conflito. 

“Além da perda de vidas e da destruição causada pelos bombardeios, os ataques levaram à suspensão de atividades médicas, o que deixou uma população já muito vulnerável sem acesso a cuidados de saúde”, afirmou a ONG, em comunicado. 

“Apesar de haver diferenças significativas entre as circunstâncias que cercaram cada incidente, os bombardeios atingiram unidades médicas em pleno funcionamento e não respeitaram a proteção inerente às atividades médicas”, acrescentou a nota. Até então, MSF trabalhava em 11 hospitais e centros de saúde no Iêmen, além de apoiar outros 18 hospitais ou centros de saúde em sete províncias iemenitas: Taiz, Áden, Al-Dhale, Amran, Hajjah, Ibb e Sanaa, com mais de 2 mil profissionais da ONG, 90 deles estrangeiros. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.