Borja Ruiz Rodriguez|MSF via AP
Borja Ruiz Rodriguez|MSF via AP

MSF resgata 246 imigrantes que tentavam chegar à Europa

Em operações no Mediterrâneo Central, organização ajudou refugiados em dois botes; outros 25 corpos foram localizados em uma das embarcações

O Estado de S. Paulo

26 Outubro 2016 | 17h00

ROMA - A ONG Médicos sem Fronteiras (MSF) divulgou nesta quarta-feira, 26, que, nas últimas horas, resgatou no Mar Mediterrâneo 246 pessoas, que estavam à deriva, tentando chegar ao continente europeu. A MSF disse também recuperou 25 corpos de um dos botes localizados pela organização.

A MSF relatou que todos os mortos estavam em um mesmo barco, que estava superlotado e transportava também 107 imigrantes que sobreviveram. A embarcação foi estava a 26 milhas do litoral da Líbia. O grupo foi localizado pela embarcação "Bourbon Argonios" e cada um dos resgatados recebeu os primeiros socorros imediatamente.

Uma segunda operação foi realizada também pela Médico sem Fronteiras, que socorreu outras 139 pessoas em um bote inflável, na mesma região.

"Quando chegamos ao primeiro bote, trouxemos 107 sobreviventes a bordo, mas não conseguimos recuperar o que nós achamos que seriam no máximo 11 mortos, porque fomos chamados para outro resgate urgente perto dali", conta Michele Telaro, coordenador do Bourbon Argos. 

"Depois de resgatarmos as outras 139 pessoas, retornamos para então descobrir que, no fundo do primeiro bote, havia 25 vítimas, que supostamente inalaram combustível, escondidas sob uma mistura de água e gasolina. Levamos três horas para recuperar 11 corpos, porque a mistura de água e óleo era tão potente que não podíamos arriscar ficar por períodos muito longos no bote. Foi uma cena horrível."

Ao todo, 23 pessoas tiveram que receber tratamento médico em razão de queimaduras causadas por vazamento de carburante. Destas, 11 estavam em estado considerado crítico. O responsável de operações migratórias da MSF, Stefano Argenziano, lamentou mais um caso de grupo viajando em condições precárias e cobrou que a União Europeia ponha fim a situação, dando alternativas seguras para os refugiados chegarem ao Velho Continente.

"Em breve, 2016 deve ser declarado o ano mais mortal no Mediterrâneo Central. De quantas tragédias desse tipo precisamos para que os líderes da União Europeia mudem suas prioridades equivocadas de dissuasão e ofereçam alternativas ao mar que sejam seguras?", questionou Argenziano.

Apenas neste ano, 327 mil pessoas chegaram à Europa por via marítima. Ao todo, 3.740 morreram na tentativa, segundo dados recentes divulgados pela ONU. / COM EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.