REUTERS/ Antonio Parrinello
REUTERS/ Antonio Parrinello

MSF retoma busca e resgate de imigrantes no mar Mediterrâneo

Em 2015, organização humanitária ajudou quase 40 mil refugiados em mais de uma centena de intervenções; três navios buscarão embarcações em dificuldade entre África e a Europa

O Estado de S. Paulo

25 Abril 2016 | 10h55

VALETA - A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou no domingo, 24, que retomou as operações de busca, resgate e assistência médica na região central do Mar Mediterrâneo, entre a África e a Europa, e realizou sua primeira operação de 2016. 

Devido à falta de alternativas seguras e legais para as pessoas fugirem e buscarem proteção, o trecho marítimo letal entre a Líbia e a Itália, onde 2.892 homens, mulheres e crianças perderam a vida em 2015, é agora praticamente o único caminho para milhares de pessoas que tentam chegar à costa europeia. 

"Nesta mesma época do ano passado, quando Médicos Sem Fronteiras lançou sua primeira operação de busca e resgate, comparamos o Mediterrâneo a uma sepultura coletiva, e pouco mudou desde então", disse Joanne Liu, presidente internacional da MSF.

"Enquanto as crises e conflitos pelo mundo continuam fazendo milhões de pessoas fugirem, a falta de uma solução global para a atual crise de refugiados, a política de dissuasão dos Estados europeus e sua recusa em fornecer alternativas para a travessia marítima fatal continuam a matar milhares."

O primeiro navio de busca e resgate de MSF a entrar em operação neste verão partiu do porto de Valeta, capital de Malta, na quinta-feira, 21. O navio tem capacidade para receber 400 pessoas a bordo e conta com uma tripulação de 16 pessoas, incluindo uma equipe médica experiente. Ele ficará posicionado proativamente nas águas ao norte da Líbia, buscando embarcações em dificuldade.

No sábado, 23, o navio o Dignity I aceitou uma transferência de 308 pessoas (205 homens, 80 mulheres e 23 crianças), a maior parte eritreus, resgatadas por um navio italiano. Estes imigrantes devem ser desembarcados na Sicília, na Itália, nesta segunda-feira.

Nas próximas semanas, MSF vai reforçar sua capacidade de busca e regaste com mais dois navios maiores. As equipes terão o equipamento necessário para prestar atendimento de emergência e para tratar casos de desidratação, queimaduras causadas por combustíveis, hipotermia e afecções de pele, que foram as necessidades médicas mais urgentes das pessoas resgatadas pela organização em 2015.

"Refugiados e migrantes estão buscando uma vida mais segura ou melhor. Não é admissível tratá-los como criminosos, ou pior, deixá-los morrer nessa procura. Em vez de se concentrar na dissuasão e na vigilância, os Estados europeus devem providenciar alternativas seguras para as travessias marítimas e um mecanismo de busca e resgate que seja ao mesmo tempo exclusivo e proativo. As vidas de centenas de milhares de pessoas dependem disso", disse Liu.

Em 2015, equipes de MSF a bordo de três navios de busca e resgate no Mediterrâneo Central prestaram assistência a 23 mil pessoas em 120 intervenções de resgate. No mar Egeu, ao norte da ilha de Lesbos, MSF, em parceria com o Greenpeace, prestou ajuda a mais de 14 mil pessoas que cruzavam da Turquia para a Grécia.

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