Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

Mubarak anuncia ausência em Doha

Decisão é duro revés para árabes, que queriam mostrar unidade em encontro que incluirá sul-americanos

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2009 | 00h00

A reunião de cúpula da Liga Árabe que começa amanhã em Doha e pretendia enviar ao mundo um sinal de unidade, principalmente depois da ofensiva israelense em Gaza, sofreu ontem um duro revés com o anúncio do presidente egípcio, Hosni Mubarak, de que não participará do encontro. O Egito não explicou os motivos da desistência de Mubarak. Na terça-feira, os países árabes se reuniriam com chefes de Estado sul-americanos, incluindo os presidentes de Brasil e Venezuela, Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez. A decisão de Mubarak foi recebida como um alerta de que governos moderados na região não estão satisfeitos com as posições do Catar sobre os assuntos árabes. O principal problema se refere ao apoio de Doha ao Hamas, à Síria e ao regime no Irã. Os governos de Egito e Arábia Saudita explicitaram seu apoio ao presidente palestino, Mahmud Abbas, enquanto os sírios e o emir do Catar deram demonstrações de apoio ao Hamas. Durante o encontro, o Hamas espera que a cúpula reforce o apoio à sua legitimidade como governo.Um dos poucos pontos de consenso parece ser a situação do presidente do Sudão, Omar al-Bashir, indiciado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade em Darfur. Ontem, num encontro preparatório, os ministros dos países árabes pediram "solidariedade" em relação ao presidente, alegando que o indiciamento colocaria em risco o processo de paz em Darfur. "Todos devem respaldar o Sudão", afirmou o chanceler sírio, Walid al-Moalem.O secretário-geral da Liga Árabe, Amro Musa, também deu apoio ao Sudão e criticou o processo "político" do TPI. Para ele, o tribunal usa critério duplo e não está disposto a investigar líderes que atuaram em "outras guerras". O recado seria para George W. Bush e a atuação americana no Iraque.Para o Brasil, a cúpula pode resultar num constrangimento. O País ratificou o TPI, mas os países árabes querem que haja uma declaração de apoio ao sudanês. Bashir desafiou o tribunal ao viajar para quatro países africanos na última semana. Mas até agora não confirmou sua presença em Doha, onde há uma base militar americana.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.