Mubarak convida Sharon para diálogo

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, que vem evitando reunir-se com o primeiro-ministro israelense há mais de dois anos, disse, nesta segunda-feira, segundo um jornal do Cairo, que já era tempo de tratar Ariel Sharon de modo diferente e que o havia convidado para o balneário egípcio de Sharm el-Sheikh, no Mar Vermelho."Agora, depois que Sharon ganhou as últimas eleições, me parece correto entrar em contato com ele e conversar de uma outra maneira. Eu o convidei para que, após formar seu gabinete, (venha ao Egito) a fim de nos reunirmos em Sharm el-Sheikh a fim de discutir vias para solucionar a suspensão e voltar ao diálogo e às negociações (com os palestinos)", disse Mubarak ao jornal Al-Gomhuria. O porta-voz de Sharon, Raana Guissin, se absteve de fazer comentários a respeito do convite. Mubarak falou com Sharon na semana passada, felicitando-o por ter sido reeleito. Ao mesmo tempo, o escritório de Sharon informou que os dois líderes haviam concordado em se reunir assim que o premier formar um novo governo. Em sua entrevista ao Al-Gomhuria, Mubarak disse que Sharon havia entrado em contato com ele em seu primeiro mandato e lhe havia pedido um reunião entre ambos no Egito, mas que "a terra palestina tem sido testemunha de ações de violência, demolições (de casas palestinas) e destruição". Embora a situação não se tenha acalmado e Mubarak tenha reiterado em várias oportunidades que Sharon não deseja a paz, o presidente egípcio, segundo o Al-Gomhuria, disse ser necessário uma mudança de atitude e uma reunião sua com Sharon, porque o diálogo e a negociação são "a única maneira de cumprir com as aspirações das duas partes, para a segurança e a estabilidade". Durante o primeiro governo de Sharon, funcionários egípcios se reuniram de tempos em tempos com políticos do opositor Partido Trabalhista israelense, atraindo acusações de que estaria havendo uma intromissão egípcia e uma tentativa de ignorar os líderes eleitos pelo partido de Sharon, o Likud. O Egito foi o primeiro país árabe a assinar, em 1979, um tratado de paz com Israel.

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