Mubarak diz que Israel é uma ditadura

Israel é uma ditadura, e o primeiro-ministro, Ariel Sharon, conhece apenas guerra e matança, afirmou, neste domingo, o presidente do Egito, Hosni Mubarak. Mubarak fez a declaração numa reunião com editores e jornalistas de jornais árabes. Seus comentários foram divulgados por um dos participantes do encontro, Ibrahim Nafie, editor do jornal Al-Ahram e presidente do Sindicato da Imprensa Egípcia. Lembrando sua conversa com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, na quinta-feira, Mubarak disse aos editores: "Minha mensagem foi clara. Não deveríamos deixar Sharon matar e destruir, e é por isso que se vêem os ataques contra mim na imprensa ocidental, acusando-me de ditadura", declarou. "A verdadeira ditadura é em Israel, onde as sentenças do Judiciário não são implementadas, e os direitos humanos não existem", disse Mubarak, de acordo com Nafie. Mediador freqüente entre Israel e os palestinos nos últimos meses, com a deterioração do conflito palestino, Mubarak vem aumentando as críticas em relação aos líderes de Israel. Neste domingo, ele repetiu uma crítica já feita anteriormente, dizendo que o primeiro-ministro israelense coloca a segurança antes da paz. "Sharon não conhece nada a não ser guerra, mortes e massacres", afirmou. "Sob o governo de Sharon, as esperanças de se chegar a uma solução para o conflito palestino-israelense evaporaram", declarou Mubarak. Ele elogiou o presidente norte-americano, George W. Bush, pelo seu recente apoio a um Estado palestino, mas acrescentou: "Isto deveria ser traduzido em medidas práticas que incluem colocar o processo de paz de novo nos trilhos". O presidente egípcio chamou a atenção para a busca empreendida por ele para solucionar o conflito palestino-israelense, aparentemente para ofuscar as críticas que recebeu no Egito por ter dado apoio aos bombardeios aéreos ao Afeganistão. Ao ser perguntado se os Estados Unidos estenderiam os ataques a outros países suspeitos de dar abrigo a terroristas, Mubarak afirmou não pensar que os EUA vão atacar outros países árabes. "Eu disse para os EUA: ´Vocês não deveriam atacar nenhum país na região´", declarou. Mubarak afirmou ter dito ao primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que a Líbia não tem nenhum terrorista e que a Síria não permite que terroristas operem a partir de seu território. O Departamento de Estado dos EUA inclui a Líbia e a Síria na lista de países que patrocinam terroristas. O dia de hoje, 14 de outubro, marcou o 20º aniversário da posse de Mubarak. Ele foi empossado oito dias depois do assassinato do president Anwar Sadat, em 1981. O ex-presidente Sadat foi morto por extremistas islâmicos. Grupos de direitos humanos têm criticado o governo de Mubarak por diversos motivos, entre eles a ausência de eleições livres e justas.

Agencia Estado,

14 Outubro 2001 | 22h19

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