Mubarak é condenado à prisão perpétua no Egito

Considerado responsável pela violenta repressão contra manifestantes em 2011, ex-presidente egípcio sofre ataque cardíaco em sua chegada à prisão

CAIRO, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2012 | 03h06

O ex-presidente do Egito Hosni Mubarak foi sentenciado ontem à prisão perpétua por um tribunal egípcio. Ele foi condenado por cumplicidade no assassinato de manifestantes durante as revoltas populares que derrubaram o seu governo, no ano passado. Foi a primeira vez que um líder árabe deposto enfrentou um tribunal desde que a onda de levantes atingiu a região.

A sentença de ontem foi lida pelo juiz Ahmed Refaat. Também foi condenado à prisão perpétua o ex-ministro do Interior Habib al-Adli, pela mesma acusação, enquanto seis de seus ajudantes acabaram absolvidos por falta de provas, segundo o tribunal.

A corte egípcia, no entanto, decidiu absolver os dois filhos de Mubarak, Alaa e Gamal, e o empresário Hussein Salem, que estava sendo processado à revelia. Os três respondiam a acusações de enriquecimento ilícito e danos aos cofres públicos. De acordo com o tribunal, os delitos prescreveram.

O processo, com um expediente de 60 mil páginas, se desenvolveu ao longo de 49 sessões, que, ao todo, somaram 250 horas. Mubarak, com óculos escuros e em uma maca, escutou impassível a leitura da sentença.

Enfarte. Momentos antes de chegar à penitenciária de Tora, quando ainda estava no helicóptero que o havia levado do tribunal, Mubarak sofreu um ataque cardíaco. O ex-presidente, de 84 anos, foi imediatamente atendido e transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital da prisão. Segundo a rede de TV estatal, Mubarak sofreu um "ataque agudo e repentino" no momento em que o helicóptero aterrissava no complexo penitenciário.

Seu histórico de problemas cardíacos é longo. Um dia após ser detido, em abril de 2011, ele foi internado no hospital de Sharm el-Sheikh, na Península do Sinai, após sofrer um enfarte. Ele ficou internado até seu julgamento, em agosto. Desde então, permaneceu no hospital até que a Justiça determinasse, ontem, que fosse enviado a Tora. / AP

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