Khaled Desouki/AFP
Khaled Desouki/AFP

Mubarak é solto após 6 anos de detenção e reversão de prisão perpétua

Deposto em 2011 em meio aos protestos da Primavera Árabe, ex-líder egípcio deixou o Hospital Militar Maadi, onde estava detido

O Estado de S.Paulo

24 de março de 2017 | 07h19
Atualizado 24 de março de 2017 | 18h42

CAIRO - O ex-presidente do Egito Hosni Mubarak, deposto em 2011, foi libertado nesta sexta-feira após quase 6 anos de prisão. Para muitos, a libertação simboliza o fim da revolução e suas reivindicações de justiça social. Segundo seu advogado, Farid el-Deeb, Mubarak, o primeiro líder a enfrentar um julgamento após os protestos da Primavera Árabe, deixou o Hospital Militar Maadi, no Cairo, onde estava detido, e seguiu para sua casa no bairro de Heliópolis.

“Sim, ele está agora em sua casa em Heliópolis”, confirmou o advogado à imprensa. Heliópolis é um bairro abastado no noroeste do Cairo onde também fica localizado o palácio presidencial.

 

Mubarak foi recebido por toda sua família, com quem tomou o típico café da manhã egípcio, segundo o jornal local Al Masry Al Youm, que detalhou em seu site que alguns amigos também compareceram para dar as boas-vindas ao ex-presidente. A casa para onde Mubarak voltou é o palacete onde ele residia quando era presidente e que sua mulher, Suzanne Mubarak, supostamente adquiriu do Estado egípcio em 2002, em uma transação obscura, segundo uma investigação do jornal egípcio independente Mada Masr.

Mubarak, de 88 anos, foi preso inicialmente em abril de 2011, dois meses após deixar o governo, e desde então esteve em prisões e em hospitais militares sob forte vigilância.

A libertação do “faraó”, que governou Egito com mão de ferro durante 30 anos (1981-2011), ocorre após sua absolvição no início do mês da acusação de envolvimento na morte de 239 manifestantes durante os protestos que acabaram com seu mandato.

A Procuradoria-Geral do Egito ordenou no dia 13 de março a libertação de Mubarak, depois que ele foi declarado inocente e por considerar que já tinha cumprido a condenação – ditada em maio de 2015 e confirmada em janeiro de 2016 – a 3 anos de prisão por apropriação de recursos públicos reservados aos palácios presidenciais.

O ditador foi mantido em prisão preventiva de abril de 2011 – quando foi detido pelas autoridades egípcias no meio da euforia pós-revolucionária – até ontem, por isso esse período em que esteve sob custódia foi descontado de sua pena confirmada em 2016.

Em todo este tempo, Mubarak passou breves temporadas na prisão de Tora, nos arredores da capital egípcia, mas seu delicado estado de saúde e sua idade avançada, assim como uma opinião pública cada vez menos hostil ao presidente deposto e odiado, permitiram sua “aposentadoria” no hospital das Forças Armadas, onde gozava de um regime privilegiado.

O ex-líder havia sido sentenciado à prisão perpétua em 2012, mas um tribunal de apelação ordenou um novo julgamento dois anos depois. A Procuradoria, por sua vez, ordenou mais uma revisão na maior corte de apelação do país.

Ele foi inocentado das últimas acusações em 2 de março, após enfrentar julgamentos por uma série de casos que iam de corrupção a mortes de manifestantes, cujos protestos em 2011 acabaram com seu regime de 30 anos. O tribunal também rejeitou as demandas dos advogados das vítimas para reabrir ações civis, não deixando nenhuma opção para apelação ou novo julgamento.

A libertação de Mubarak acaba definitivamente com as aspirações nascidas de uma revolução que levou ao país a esperança de um regime mais democrático. / REUTERS, EFE e AFP

Relembre: Mubarak é condenado à prisão perpétua

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