Mubarak, ex-presidente do Egito, pode ser libertado

O ex-presidente do Egito, Hosni Mubarak, que passa por um novo julgamento pelo assassinato de centenas de manifestantes durante o levante de 2011 que levou à sua queda, pode ser libertado da prisão ainda nesta semana, disseram funcionários do Judiciário nesta segunda-feira. Essa decisão pode alimentar os confrontos no país após a derrubada do sucessor de Mubarak por um golpe militar.

AE, Agência Estado

19 de agosto de 2013 | 18h01

A ênfase à crescente ira pela saída de Mohammed Morsi do poder cresceu com a afirmação das forças de segurança do Egito de que policiais do país foram vítimas de uma emboscada arquitetada por militantes. O ataque contra dois micro-ônibus que levavam os policiais ocorreu no norte do Sinai e deixou ao menos 24 mortos.

De acordo com as autoridades egípcias, o atentado ocorreu quando os veículos passavam por uma aldeia próxima à cidade fronteiriça de Rafah. Além das 25 mortes, o ataque deixou mais três pessoas feridas.

A Península do Sinai tem sido palco de ataques quase diários por supostos militantes depois que o presidente Mohammed Morsi foi deposto em 3 de julho deste ano. A região é conhecida por ser uma fronteira estratégica com a Faixa de Gaza e Israel e os temores são de haver uma insurgência no local.

Após a ofensiva na região, uma fone da autoridade de fronteira informou que a passagem de Rafah, na fronteira com a Faixa de Gaza, foi fechada. A travessia de Rafah é o único meio que a maioria dos palestinos em Gaza tem para deixar o território.

Na semana passada, o Egito havia dito que fecharia a passagem por tempo indeterminado, mas a travessia foi parcialmente reaberta no sábado, de acordo com o ministério do Interior de Gaza.

Com o aumento da violência, o governo da Alemanha decidiu hoje suspender suas exportações de armas para o Egito, segundo anúncio feito por um porta-voz do Ministro de Economia alemão.

O porta-voz, Holger Schlienkamp, disse que o valor de equipamentos aprovados para envio ao Egito no primeiro semestre ficou em 13,2 milhões de euros (US$ 17,6 milhões). Já faz alguns anos que os alemães não enviam armas automáticas e tanques ao país africano.

Entre 2008 e 2012, a Alemanha foi o maior fornecedor de armas aos egípcios, atrás dos EUA e Rússia, de acordo com dados do Instituto Internacional de Pesquisas da Paz, em Estocolmo.

O tumulto político no Egito e a forte repressão por forças de segurança de simpatizantes do presidente deposto Mohamed Morsi têm atraído fortes críticas da Alemanha, que hoje voltou a condenar a violência no país e a pedir que autoridades locais retomem o diálogo.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, declarou-se nesta segunda-feira "alarmado" com o uso excessivo da força no Egito e fez um chamado ao diálogo e à reconciliação. Ban disse que o processo político foi "sequestrado" pela violência advertiu que as autoridades e os líderes políticos egípcios têm a responsabilidade compartilhada de pôr fim à crise

"Evitar mais perdas de vida deveria ser a maior prioridade", disse Ban. "Peço a todos os egípcios que exerçam ao máximo a contenção e solucionem pacificamente suas divergências."

O secretário-geral da ONU denunciou os ataques contra a população civil e a destruição de igrejas, hospitais e outras instalações públicas.

A decisão de libertar Mubarak da prisão durante um dos períodos mais violentos no país nos últimos anos pode significar um enorme risco para o governo apoiado pelos militares e as autoridades vão querer mantê-lo em custódia.

Segundo fontes, não há mais motivos para manter Mubarak, de 85 anos, detido pois já venceu o limite legal de dois anos para manter uma pessoa em custódia enquanto se aguarda o veredicto final.

Mubarak está preso desde abril de 2011. Ele foi considerado culpado e sentenciado à prisão perpétua em junho do ano passado por não ter interrompido o assassinado de cerca de 900 manifestantes durante os 18 dias de levante contra seu governo. Sua sentença foi revista após um recurso e ele agora passa por um novo julgamento, juntamente com seu chefe de segurança e seis graduados comandantes da polícia.

As tensões no Egito aumentaram desde que o exército depôs Morsi, primeiro presidente eleito livremente no país em um golpe no dia 3 de julho, seguido de dias de protestos de milhares de egípcios pedindo a saída do presidente islamita do poder e o acusando de abuso de poder. Morsi esta preso em local desconhecido desde então.

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