Mubarak nega ter ordenado a morte de manifestantes em 2011

Ex-presidente do Egito é julgado por violar a lei e a ordem durante o levante de 18 dias contra o regime 

O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2014 | 12h19

CAIRO - O ex-presidente do Egito, Hosni Mubarak, negou nesta quarta-feira, 13, em julgamento, que tenha ordenado a morte de manifestantes durante a revolta de 2011 que encerrou o regime dele, que durava 30 anos.

Mubarak foi condenado à prisão perpétua em 2012 por ser cúmplice nas mortes de manifestantes e violar a lei e a ordem durante o levante de 18 dias contra seu governo, mas uma corte de apelações ordenou a realização de um novo julgamento. O ex-presidente foi absolvido dessas acusações, mas está cumprindo sentença de três anos relacionada a um caso de fraude em um hospital militar no Cairo.

Mubarak, que é julgado junto a seus filhos e outras autoridades, também negou as acusações de corrupção e disse que havia servido fielmente a seu país por 62 anos, primeiro como oficial militar e depois como presidente.

"Hosni Mubarak, que está hoje perante vocês, não ordenou a morte de manifestantes ou o derramamento de sangue de egípcios", disse ele à corte, lendo uma declaração preparada. "Eu não emiti uma ordem para causar caos e não emiti uma ordem para criar um vácuo de segurança."

O juiz disse que o veredicto no caso de Mubarak deve sair em 27 de setembro.

Muitos egípcios que viveram durante as três décadas de autocracia sob o regime de Mubarak consideraram uma vitória vê-lo atrás das grades com os aliados dele. Mas desde a deposição do presidente Mohamed Morsi no ano passado pelo então chefe do Exército e agora presidente Abdel Fattah al-Sisi, alguns aliados da era Mubarak foram libertados, aumentando as preocupações entre ativistas de que o velho regime tenha reconquistado influência.

Sisi prometeu que a Irmandade Muçulmana, agremiação de Morsi, deixaria de existir sob seu comando.

Centenas de ativistas islâmicos morreram e milhares foram presos no ano passado, muitos sentenciados à morte em julgamentos em massa que levantaram protestos de governos ocidentais e grupos de direitos humanos. / REUTERS

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