Mubarak nomeia membros de novo gabinete, informa canal estatal do Egito

Ministros das Finanças e do Interior são substituídos; titulares da Defesa e de Exteriores seguem

Associated Press e Efe

31 de janeiro de 2011 | 10h54

 

CAIRO - A televisão estatal do Egito informou nesta segunda-feira, 31, que o presidente Hosni Mubarak nomeou os novos ministros de seu gabinete após dissolvê-lo como medida para acalmar os protestos que tomaram conta do país há sete dias em favor de sua renúncia.

 

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Mubarak nomeou o ex-chefe de Instituições Penitenciárias, o general Mahmoud Wagdi, como novo ministro do Interior. O antigo titular da pasta, Habib el-Adly, foi duramente criticado por comandar a repressão às marchas populares.

 

O antigo presidente da Instituição Central de Estatística, Gawdat al Malt, é o novo ministro das Finanças. Os ministros da Defesa, Field Marshal Hussein Tantawi, e de Exteriores, Ahmed Aboul Gheit, permaneceram em seus cargos.

 

O ministro da Cultura, Farouq Hosni, foi substituído por Gaber Asfour. Hosni era o ministro mais antigo do gabinete de Mubarak. O mais famoso arqueólogo do país, Zahi Hawass, foi indicado para ocupar o novo Ministério das Antiguidades.

 

As nomeações ocorrem após o governo apresentar renúncia no sábado, dia em que Mubarak apontou o general Ahmed Shafik como o novo primeiro-ministro e o encarregou de formar um novo gabinete. Antes, o líder egípcio nomeou o chefe dos serviços de inteligência, Omar Suleiman, como vice-presidente, cargo que estava vago desde que Mubarak acedeu ao poder em 1981.

 

As nomeações de Mubarak, porém, não devem acalmar os milhares de egípcios que tomaram as ruas das principais cidades do país. Os manifestantes veem os novos nomes apontados pelo presidente como um tentativa de ele se manter atrelado ao poder. Mohamed ElBaradei, um dos mais proeminentes opositores a Mubarak, chamou a nomeação do novo premiê e do vice-presidente como "mera troca de figuras".

 

As decisões políticas de Mubarak, porém, não conseguiram colocar fim aos protestos iniciados na terça-feira passada. Os distúrbios, batizados de "Dia da Fúria" por alguns ativistas na internet, foram inspirados na "Revolução do Jasmim", que derrubou o presidente da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, há duas semanas. No Iêmen e na Jordânia também foram registradas manifestações.

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