Mubarak resiste a pressão e diz que fica no poder até eleições

Em pronunciamento, presidente do Egito diz que irá transferir parte de seus poderes ao vice.

BBC Brasil, BBC

10 de fevereiro de 2011 | 19h18

Manifestantes vêm pedindo há 17 dias a renúncia de Mubarak

Frustrando expectativas de opositores, o presidente do Egito, Hosni Mubarak, não renunciou ao cargo nesta quinta-feira e apenas reiterou seu "compromisso" de entregar o poder ao vencedor das eleições de setembro no país, à qual prometeu novamente não concorrer.

Por outro lado, o líder egípcio disse que transferirá parte de seus poderes a seu vice, Omar Suleiman, mas não especificou quais poderes exatamente.

"Como presidente, tenho que responder a seus chamados, mas não aceitarei ou ouvirei intervenções do exterior", disse Mubarak em um aguardado pronunciamento na TV estatal egípcia, em resposta às pressões externas por sua saída do poder.

Mubarak se disse "orgulhoso" dos egípcios e "comprometido em cumprir minha responsabilidade de entregar (o poder) a quem for eleito em eleições livres (previstas para setembro)".

Algumas horas antes, o presidente dos EUA, Barack Obama, havia declarado que "está claro que estamos vendo um momento histórico (no Egito)".

"É um momento de transformação, porque o povo egípcio está pedindo mudanças. Uma nova geração quer que sua voz seja ouvida", disse Obama, em discurso no Estado do Michigan. "Os EUA farão o que puderem para apoiar uma transição ordeira e genuína à democracia."

Há dez dias, Mubarak - que governa o Egito há quase três décadas - havia anunciado que não concorreria à reeleição, em setembro, uma concessão que foi considerada insuficiente pela maioria dos opositores ao seu governo.

Especulações sobre renúncia

As especulações sobre a renúncia do presidente haviam começado horas antes, quando o premiê egípcio, Ahmed Shafiq, disse ao serviço árabe da BBC que a permanência de Mubarak no poder estava sendo discutida pelas autoridades do país.

O secretário-geral do partido do presidente (Partido Nacional Democrático), Hossan Badrawi, também havia declarado à BBC que pediu a Mubarak que transfira o poder a seu vice, Omar Suleiman, para "acomodar as demandas dos manifestantes", e que esperava uma resposta "positiva" ao pedido.

Segundo Badrawi, Mubarak estava "mais preocupado com a estabilidade do país" e "não liga mais para o seu posto".

O clima era de expectativa na Praça Tahrir, no Cairo, local onde a maioria dos manifestantes antigoverno se concentrou ao longo dos 17 dias consecutivos de protestos. Mesmo antes do pronunciamento de Mubarak, muitos entoavam canções nacionalistas e hasteavam bandeiras.

Horas antes de Mubarak falar na TV, um dos manifestantes na Praça Tahrir, Hussein Omar, havia dito à BBC que "centenas de pessoas estão vindo à praça, cantando hinos nacionalistas, muitas acham que o presidente já deixou o país. As pessoas estão reunidas ao redor de uma tela gigante erguida na praça, esperando o comunicado do palácio presidencial".

Possibilidade de golpe

Rumores de renúncia se somaram a boatos sobre um possível golpe de Estado, a ser perpetrado pelo Exército - maior força política do Egito e que vem se mantendo neutro ao longo dos 17 dias consecutivos de protestos antigoverno.

O correspondente da BBC Paul Adams diz que há entre a população a percepção de que a possibilidade de golpe existe.

Em comunicado televisionado na tarde de quinta-feira, as Forças Armadas comunicaram que estão prontas para "responder às demandas legítimas do povo".

Milhares de pessoas vêm participando de protestos diários contra Mubarak desde o dia 25 de janeiro. Muitos manifestantes acampam à noite na Praça Tahrir.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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