Mubarak teve duas paradas cardíacas, diz fonte

O ex-presidente do Egito, Hosni Mubarak, cujo estado de saúde piorou desde que ele foi enviado para a prisão, sofreu duas paradas cardíacas que foram revertidas com o uso do desfibrilador, informou uma fonte hospitalar à agência France Presse nesta segunda-feira.

AE, Agência Estado

11 de junho de 2012 | 10h30

"O coração de Mubarak parou duas vezes. Os médicos tiveram de usar o desfibrilador. Ele tem oscilado entre o estado de consciência e inconsciência e tem recusado comida", disse a fonte.

Mais cedo, uma fonte do Ministério do Interior dissera à France Presse que ele estava em estado "critico, mas estável" e que autoridades estudavam sua transferência para um hospital no Cairo.

O ex-líder de 84 anos foi condenado à prisão perpétua por reprimir uma revolta contra seu governo no início de 2011, período no qual cerca de 850 manifestantes foram mortos. Seu estado de saúde se deteriorou e ele sofreu um colapso emocional após ter sido transferido para a prisão de Tora, na periferia do Cairo, em 2 de junho, onde permanece na unidade de terapia intensiva do hospital da prisão.

Ele está em depressão profunda desde a transferência, assim como elevações periódicas da pressão arterial e falta de ar, segundo a fonte do Ministério do Interior.

Na semana passada, funcionários da prisão concordaram em deixar que seu filho Gamal, que cumpre pena no mesmo presídio por corrupção, permanecesse perto de seu pai.

Mubarak pediu que seu outro filho, Alaa, que também está em Tora aguardando julgamento pelas mesmas acusações que Gamal, obtivesse permissão para ficar com ele. "Ele quer os dois filhos a seu lado", disse um funcionário do setor de segurança.

A mulher de Mubarak, Suzanne, e sua nora receberam permissão especial para visitá-lo no domingo, após rumores de que ele havia morrido, informaram meios de comunicação estatais.

Sua família fez um pedido formal para que ele seja transferido para um hospital no Cairo, mas tal medida poderia dar início a irritados protestos de ativistas, neste período particularmente sensível no país. O processo para escolha do sucessor de Mubarak está em andamento, numa disputa polarizada entre o ex-primeiro-ministro Ahmed Shafiq e o candidato da Irmandade Muçulmana, Mohammed Mursi.

As autoridades não aceitaram nem negaram o pedido de transferência de Mubarak, dizendo apenas que ele será "tratado como os outros prisioneiros". "Transferi-lo agora é muito complicado por causa da ameaça de protestos na praça Tahrir e as proximidade da eleição", disse o funcionário da segurança.

O advogado de Mubarak, Farid al-Deeb, disse que "vai responsabilizar o Ministério do Interior e a promotoria do Estado se Mubarak morrer na prisão" por falta de tratamento médico adequado.

"Seu estado de saúde não é estável...ele precisa ficar em observação 24 horas por dia", declarou Deeb ao jornal independente Al-Masry Al-Youm.

Desde sua queda em fevereiro do ano passado, tem havido relatos contraditórios sobre a saúde do ex-presidente. Alguns dizem que ele sofre de câncer, outros de problemas cardíacos ou depressão. As informações são da Dow Jones

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