Muçulmanos atacam budistas em Bangladesh

Muçulmanos atearam fogo a templos e residências budistas no Sul de Bangladesh neste domingo, em protesto contra uma foto supostamente ofensiva ao Islã que foi publicada na rede social Facebook. Oficiais da polícia local disseram que a multidão, estimada em 25 mil pessoas, ateou fogo a cinco templos budistas e a dezenas de casas em Ramu, 350 km ao sul de Daca, a capital, e nas aldeias vizinhas.

AE, Agência Estado

30 de setembro de 2012 | 13h38

Segundo o administrador do distrito, Joinul Bari, os manifestantes dizem que a foto supostamente ofensiva foi colocada no Facebook por um jovem budista que vive na região. "Eles perderam o controle e atacaram casas de budistas, ateando fogo e danificando os templos entre a meia-noite e a manhã de domingo. Pelo menos cem casas foram danificadas. Nós chamamos o Exército e a guarda de fronteira para conter a violência", acrescentou.

O homem acusado pela ofensa está escondido; ele disse à imprensa local que não colocou a foto considerada ofensiva no Facebook e que alguém vinculou a imagem à sua conta. Funcionários locais disseram que a mãe e uma tia do suspeito foram colocadas sob proteção policial.

De acordo com o oficial de polícia Rumia Khatun, "25 mil muçulmanos, aos gritos de ''Deus é grande'', atacaram primeiro uma comunidade budista em Ramu, ateando fogo a templos centenários"; mais tarde, a multidão atacou aldeias budistas fora da cidade. "Vi 11 templos de madeira, dois deles com mais de 300 anos, serem queimados pela multidão. Saquearam itens preciosos e estátuas de Buda dos templos. Lojas de budistas também foram saqueadas", disse o jornalista local Sunil Barua.

Os tumultos depois se alastraram para a cidade predominantemente budista de Patia, perto do porto de Chittagong, onde os manifestantes atacaram três templos, segundo o chefe de polícia local, Aminur Rashid. "Eles danificaram estátuas e saquearam itens valiosos. Nós colocamos a situação sob controle", afirmou Rashid. Não há informes sobre mortos ou feridos e as autoridades não informaram se foram feitas prisões.

Os ministros do Interior, da Indústria e da Polícia Nacional de Bangladesh foram à região neste domingo.

Os budistas representam menos de 1% da população de Bangladesh, de 153 milhões, e vivem principalmente no sul do país, perto da fronteira com Mianmar, que tem maioria budista. As tensões sectárias se intensificaram na região a partir de junho, quando aconteceram confrontos violentos na província de Rakhine, no Oeste de Mianmar, entre budistas e muçulmanos da etnia rohingya.

Em Bangladesh, onde 90% da população são muçulmanos, já houve anteriormente confrontos violentos entre muçulmanos e hindus, mas conflitos envolvendo budistas são raros. As informações são da Dow Jones.

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