Muçulmanos dos EUA prometem votar contra Bush em 2004

Mesmo antes dos ataques de 11 de setembro de 2001, líderes muçulmanos americanos já estavam convencidos de que tinham errado. Em 2000, em sua primeira decisão unificada a respeito de uma eleição presidencial nos Estado Unidos, a comunidade islâmica dos EUA apoiou George W. Bush. Muitos pensaram que ele iria adotar uma linha de ação mais rígida contra Israel, e, baseando-se e em declarações de campanha, acreditaram que Bush iria proteger os direitos de imigrantes ameçados com a deportação. Hoje, a comunidade se sente desapontada em relação a seus dois objetivos ao apoiar George W. Bush. Discriminados no país e associados indevidamente ao terrorismo, os muçulmanos dos Estados Unidos estão se mobilizando para expressar sua raiva nas eleições de 2004. Líderes da comunidade têm um plano de registrar 1 milhão de eleitores para votar contra o presidente e fazer dos direitos civis a condição para apoiar qualquer candidato. O diretor do Conselho das Relações Americanas-Islâmicas, Nihad Awad, disse que os muçulmanos do país não vão deixar seu futuro ser dirigido pelo "ódio neste país". Agha Saeed, líder do Congresso Muçulmano Americano, comandou um encontro em que pôs uma multidão para cantar "eu sou americano, eu sou muçulmano, e eu voto". Depois do 11 de setembro, Bush marcou pontos com a comunidade islâmica americana ao visitar uma mesquita e declarar o Islamismo uma religião pacífica. Mas, desde então, o governo federal prendeu centenas de imigrantes, fechou instituições de caridade ligadas aos muçulmanos por suspeitas de terrorismo, e usou de poderes ampliados para monitorar os cidadãos através do USA Patriot Act. O impacto que o voto muçulmano pode ter nas eleições presidenciais do ano que vem é incerto. As estimativas sobre o número total de eleitores pertencentes ao grupo variam muito, entre 2 e 6 milhões. Mas os imigrantes muçulmanos são em geral profissionais de muito estudo, que dispõem de meios para fazer fortes doações para campanhas.

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