Muçulmanos participam de ritual de apedrejamento do haj

Mais de 2,5 milhões de peregrinos muçulmanos participaram neste domingo, 30, de rituais de apedrejamento do diabo, em meio à segurança reforçada para evitar protestos e superlotação depois da execução de Saddam Hussein.O haj, peregrinação de 5 dias, que nos últimos anos foi marcado por pisoteamentos, foi ofuscado pelo enforcamento do ex-líder iraquiano, no sábado. Ele é considerado um herói por alguns árabes sunitas devido à posição contra os Estados Unidos, mas é odiado por muitos xiitas."O Satã número um é a América", disse o peregrino iraquiano Awadallah, que se descreveu como "combatente da resistência", depois de cumprir o ritual de apedrejamento. "As orações de todos os muçulmanos quando eles jogam a pedra no diabo devem ser dirigidas a (George W.) Bush e aos seus aliados diabólicos na América e no mundo árabe."As notícias da morte de Saddam alegraram outros peregrinos iraquianos e foram consideradas um presente pela ocasião do Eid al-Adha, a Festa do Sacrifício, que começou no sábado.Mas a Arábia Saudita criticou o Iraque por prejudicar o espírito do haj, uma das maiores manifestações mundiais de devoção religiosa, que é uma obrigação para todos os muçulmanos que têm condições de viajar a Meca."Líderes de países islâmicos deveriam mostrar respeito nesta ocasião abençoada (...) e não rebaixá-la", disse comunicado emitido pela agência estatal de notícias SPA no sábado.Os temores em relação à segurança já estavam altos durante o haj por causa da luta sectária entre sunitas e xiitas no Iraque, e em outras regiões.A Arábia Saudita manda regularmente mais de 50.000 agentes de segurança para tentar evitar pisoteamentos e ataques de militantes ligados à Al-Qaeda que são contra a família real saudita, aliada dos EUA.Centenas de milhares de pessoas passaram pela ponte Jamarat durante a manhã. Os peregrinos percorrem os 44 quilômetros ao redor de Meca durante os rituais. Eles precisam repetir a cerimônia de apedrejamento na segunda-feira, último dia.Em janeiro, 362 peregrinos morreram pisoteados na pior tragédia do haj em 16 anos. No ritual, a multidão joga pedras contra três grandes colunas que representam o local onde o Islã considera que o diabo tentou o patriarca bíblico Abraão.Uma nova obra permite a passagem de 250.000 pessoas pela ponte por hora. Autoridades sauditas dizem que 2,4 milhões de pessoas estão participando. Junto com moradores locais que não têm permissão oficial, o número pode chegar a 3 milhões.

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