Muçulmanos querem acordo mundial contra difamação de religiosos

Os países muçulmanos pedem a abertura de negociações diplomáticas para a criação de um acordo internacional que proíba a difamação religiosa. Falando em nome da Organização da Conferência Islâmica, o Paquistão alertou nesta sexta-feira na ONU que as explicações dadas pelo papa Bento XVI sobre suas polêmicas declarações não representam "o fim do problema" de intolerância entre religiões. Para o relator da ONU contra o racismo, Doudou Diene, os comentários do papa foram "profundamente preocupantes". O pontífice havia utilizado uma passagem de um documento medieval em um discurso na Alemanha há duas semanas e que se referia à violência e ao islã. Para o embaixador do Paquistão na ONU, Masood Khan, o uso do texto feriu as sensibilidades no mundo árabe. Segundo ele, ofensas contra o profeta Maomé "não são negociáveis" e, portanto, pediu que o Vaticano siga os passos do diálogo de João Paulo II daqui em diante. Os países Ocidentais afirmam que não haveria motivo para que um novo tratado fosse negociado, já que as atuais leis da ONU consideram como violações aos direitos humanos que incita o ódio religioso ou proclama difamações. Para o governo da Holanda, o diálogo e a tolerância seriam consolidadas se as religiões deixassem de ser utilizadas como um instrumento político. Mas para os países muçulmanos, há uma tendência ao aumento da islamofobia na Europa e América do Norte, o que justificaria um novo acordo. Para esse grupo de governos, os praticantes da fé islâmica estão sendo confundidos com terroristas e extremistas. Para Khan, os muçulmanos estão "demonizados" assim como os judeus foram no início dos século XX. O governo da Indonésia, por exemplo, culpa a campanha contra o terrorismo pelo aumento do ódio entre as religiões. Já o Irã alerta que "o direito de expressão não é absoluto" quando se trata de um debate sobre as religiões.Para o relator da ONU, os comentários do papa não foram uma demonstração de islamofobia, mas acabaram legitimando atos. Já para a relatora da ONU sobre religião, Asma Jahangir, o papa "cometeu um erro". "Trata-se de uma personalidade política que precisa saber o impacto de suas declarações, mesmo que exista a liberdade de expressão", afirmou, lembrando que o discurso do pontífice "encoraja um clima de intolerância".

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