EFE/MIGUEL GUTIERREZ
EFE/MIGUEL GUTIERREZ

MUD diz que vencerá eleições de dezembro na Venezuela e buscará unidade nacional

Secretário-geral de aliança opositora critica posição do governo Maduro sobre observação internacional da eleição legislativa 

O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2015 | 15h05

CARACAS - O secretário-executivo da Mesa da Unidade Democrática (MUD), Jesús Torrealba, afirmou que a aliança opositora venezuelana ganhará as eleições legislativas de 6 de dezembro, mas ressaltou que não buscam substituir "um sectarismo por outro, mas reconciliar o país e uní-lo".

Em entrevista à agência Efe, o porta-voz da coalizão de oposição sustentou que "todas as pesquisas, inclusive as do governo" dão à MUD uma vantagem de mais de 30 pontos, apesar do que chama de "vantagem estrutural" do governo.

"Se, apesar de tudo isso conseguirmos ganhar, mesmo que seja por uma cadeira, isso significará um terremoto político na Venezuela, a abertura de um processo de mudança, o ocaso de uma hegemonia e o início de um novo tempo de resgate da democracia", defendeu.

Segundo Torrealba, a MUD não assinará o documento que a missão de acompanhamento eleitoral da Unasul propôs por considerar que o dever da missão latino-americana é determinar "se existem as condições que permitam" que esses resultados sejam aceitos.

"Não pode uma missão de observação chegar atrasada, incompleta e ruim a um país, e além disso colocar um acordo de reconhecimento dos resultados sem que eles tenham tido nem sequer um dia de trabalho para determinar qual é o estado real do processo eleitoral venezuelano", assinalou.

Para ele, o problema não é a confiabilidade do sistema de cômputo dos votos, mas "a vantagem estrutural, a assimetria monstruosa", denunciada pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, "pelo Tribunal Eleitoral do Brasil e pela Corte Eleitoral uruguaia". O representante opositor afirmou que quem pôs obstáculos para a presença de observadores no país foi o governo, não a oposição.

Torrealba destacou que o desafio da aliança opositora é ganhar as eleições, apesar de competirem "não contra um partido, mas contra o petro-estado, contra o poder do dinheiro da (companhia petrolífera estatal) PDVSA, inclusive contra uma força armada que se assume como revolucionária, socialista, chavista". Ele denunciou que dirigentes "fundamentais da oposição foram perseguidos, julgados e presos, vários candidatos inabilitados e grandes partidos da aliança desapropriados por um auto judicial".

O líder opositor anunciou que colocarão fiscais da MUD em "quase 100%" das mesas de votação, o que dará acesso "à imensa maioria das atas", além de terem capacidade tecnológica "para totalizar em tempo real essa informação". "Entre oito e dez da noite estaremos em condições de dizer aos quatro militantes do PSUV (o partido governante) que integram a maioria da direção do CNE: reconheçam a vontade do povo."

Medidas. Segundo o dirigente, a primeira medida da oposição, caso ganhe as eleições, será uma "lei de anistia e reconciliação", dirigida não só aos opositores presos, mas também a "uma boa quantidade de dirigentes da base do governo, ambientalistas, sindicalistas, indigenistas, que são perseguidos e até presos por este governo".

"Pensamos em chegar ao poder não para substituir um bullyng por outro, um sectarismo por outro, mas para reconciliar este país, para uni-lo, para que seja para todos", ressaltou. Torrealba também disse que a aliança respeitará o direito de a "minoria governista poder" estar representada nos órgãos de direção da Assembleia Nacional ou em alguma presidência de comissão parlamentar, o que não acontece atualmente com a oposição.

Ele ressaltou que o foco será na agenda econômica e social e em fazer leis que "ajudem a superar a crise", e ao mesmo tempo "desmontar um conjunto de normas que aguçaram a insegurança", além de controlar a gestão do governo e seus ministros. "Se o governo tentar sabotar, obstruir esse processo de construção de soluções a crise econômica e social, teremos que usar as ferramentas que a Constituição prevê para abordar essa situação, entre elas a possibilidade de convocar um referendo revogatório", advertiu.

Torrealba acrescentou que a vitória da oposição será "uma oportunidade de ouro para que o governo se reinvente". /EFE

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