EFE/Miguel Gutiérrez
EFE/Miguel Gutiérrez

MUD pede que Maduro antecipe eleições e solte opositores presos

Coalizão opositora venezuelana divulga lista de demandas para prosseguir diálogo com o governo e pede também reforma da Justiça eleitoral e revogação de vetos ao Parlamento

O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2016 | 17h33

A coalizão opositora venezuelana Mesa de Unidade Democrática (MUD) apresentou nesta quinta-feira, 3, uma série de condições para prosseguir com as negociações com o governo do presidente Nicolás Maduro para pôr um fim à crise política no país. Entre elas estão  antecipação de eleições presidenciais ou do referendo revogatório, a libertação de opositores presos e a validação das leis aprovadas pela Assembleia Nacional. A MUD deu até o dia 11 para o chavismo responder a essas demandas, sob risco do abandono das negociações, patrocinadas pelo papa Francisco. 

"Queremos uma solução eleitoral para a profunda crise que vive a Venezuela, produto da política nefasta do governo", disse o prefeito de Sucre, Carlos Ocáriz, um dos representantes da MUD na mesa de negociações. "Propusemos duas alternativas: a realização do referendo revogatório ou a antecipação das eleições presidenciais para o ano que vem."

A oposição e o chavismo concordaram em sentar-se a mesa de negociações na semana passada, após a intervenção do Vaticano e a suspensão do referendo revogatório por parte do chavismo. A votação pela saída de Maduro é a principal pauta política da MUD desde a vitória nas eleições parlamentares no fim de 2015. Com a suspensão do processo, os opositores tomaram as ruas do país há uma semana em um protesto que reuniu centenas de milhares de pessoas. 

Após as primeiras reuniões, no domingo, a MUD concordou em cancelar a agenda de protestos contra o governo, que incluía um processo de "julgamento político" contra Maduro e uma marcha até o Palácio de Miraflores, sede do Executivo. O chavismo, por sua vez, libertou alguns opositores presos - Ocáriz entre eles. 

Na madrugada de quarta-feira, ameaças feitas por Maduro a um dos principais partidos da MUD, o Voluntad Popular de Leopoldo López, fez com que a aliança interrompesse o diálogo até dia 11 e pedisse medidas concretas do chavismo para continuar a conversar. Hoje, essas propostas foram divulgadas publicamente. 

Além da convocação de eleições, a MUD quer uma reforma no Conselho Nacional Eleitoral, com nomeação de juízes de ambos os lados do espectro político. Outra medida é a validação das leis aprovadas pela Assembleia Nacional desde que começou a legislatura. Até então, elas tem sido sistematicamente repelidas pelo Tribunal Superior de Justiça (TSJ), com juízes alinhados ao chavismo. "Que todos os poderes públicos, particularmente o CNE e TSJ, mas também o Legislativo, tenham o peso previsto pela Constituição", acrescentou o dirigente opositor. 

A libertação dos opositores presos, entre eles Leopoldo López, é outra reivindicação da MUD. "Queremos o retorno dos exilados e a anulação dos processos contra líderes da oposição", disse Ocáriz. 

Por fim, o representante da oposição também pediu que o governo aceite o envio de ajuda humanitária de outros países para a população venezuelana, como meio de amenizar a grave escassez de alimentos e remédios que afeta o país. 

 

Do lado chavista, no entanto, não há indicações de que Maduro acatará qualquer uma dessas reivindicações, as quais implicariam de fato em uma redução do poder chavista. Alguns líderes do governo, entre eles o deputado Diosdado Cabello, zombaram do prazo dado pela oposição.

Protestos. Ao longo do dia de ontem, foram registrados uma série de protestos estudantis em algumas cidades do país, principalmente em Caracas e San Cristobal, redutor opositor no Estado de Táchira. Ali, houve confronto entre estudantes da Universidade Católica de Táchira e a Polícia Nacional Bolivariana.  / EFE e REUTERS

  

 

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