REUTERS/Andres Martinez Caseres
REUTERS/Andres Martinez Caseres

Mudança de governo na Venezuela favorecerá China e Rússia, diz Guaidó

Segundo líder opositor, os dois países estão interessados na estabilidade econômica venezuelana

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2019 | 22h21

CARACAS  - Uma mudança de governo na Venezuela favoreceria os dois países que são os maiores credores venezuelanos, Rússia e China, disse o líder da oposição venezuelana e autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó, à Reuters em entrevista nesta quinta-feira.

Guaidó disse que enviou comunicações à Rússia e à China, aliados do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que acusa Guaidó de promover um golpe contra seu governo. Os Estados Unidos e vários outros países já reconheceram Guaidó como chefe de Estado legítimo.

“O que mais interessa à Rússia e à China é a estabilidade do país e uma mudança de governo”, disse ele. “Maduro não protege a Venezuela, não protege os investimentos de ninguém, e ele não é bom para esses países.”

Guaidó deu a entrevista em sua casa em Caracas, onde mais cedo, nesta quinta-feira, agentes da temida polícia especial venezuelana apareceram em busca de sua mulher, em um sinal da crescente pressão que Maduro está fazendo sobre a oposição.

Na entrevista, ele disse que “não tem nenhum medo” de possivelmente ser preso, depois que o Supremo Tribunal da Venezuela aprovou na terça-feira a abertura de uma investigação preliminar sobre suas ações, proibindo-o de deixar o país e congelando suas contas bancárias.

Guaidó disse que o governo venezuelano será “responsável” com seus credores e detentores de bônus. Ele ainda não controla as funções de Estado, que seguem leais a Maduro, apesar dos pedidos da oposição por deserções.

Guaidó disse que está avaliando como assumirá o controle da Citgo, unidade nos EUA da petrolífera estatal PDVSA e maior ativo da Venezuela no exterior, após o governo do presidente americano, Donald Trump, tentar usar a companhia para forçar a queda de Maduro. O governo dos EUA e Guaidó estão tentando nomear um novo conselho para a Citgo.

Guaidó também disse que, sob um futuro governo, a PDVSA seguirá sob mãos estatais, acrescentando que a principal prioridade será recuperar a produção no devastado setor de petróleo.

“Estamos aqui para fornecer certeza para a economia, para a sociedade e na política”, disse. / REUTERS

 

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