Mudança de posição abre caminho para resolução na ONU

Bashar Assad nunca foi odiado na Liga Árabe. Tampouco era adorado.

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2011 | 00h00

Bashar Assad nunca foi odiado na Liga Árabe como o líder líbio, Muamar Kadafi. Tampouco era adorado. Quase sempre evitado por monarcas, como o rei saudita Abdullah II, e líderes de repúblicas autoritárias, como Ali Abdullah Saleh. O regime de Damasco, na visão de seus vizinhos, influenciava negativamente o Líbano por meio de suas relações com o grupo radical xiita Hezbollah. Na "Guerra Fria" do Oriente Médio, entre os xiitas do Irã e os sunitas da Arábia Saudita, Assad estava em quase todas as questões ao lado de Teerã.

   

 

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Apesar de todas essas diferenças, o líder sírio era tolerado pelo restante da Liga Árabe por manter uma importante certa estabilidade no país. Ele deu guarida a centenas de milhares de refugiados iraquianos após a invasão americana em 2003, e evitou que seu país se desmanchasse em conflitos sectários, como o Líbano. Além disso, sua queda poderia incentivar ainda mais levantes na região, já abalada pelas renúncias de Zine Ben Ali, na Tunísia e Hosni Mubarak, no Egito.

Por esse motivo, os países da região evitavam críticas como as deste fim de semana. Essa cautela da Liga Árabe levou países como o Brasil e a Índia a argumentarem que a situação na Síria era distinta da Líbia. Com o apoio do bloco, o regime Kadafi foi alvo de duas resoluções na ONU. A primeira, por unanimidade, estabeleceu sanções econômicas. A segunda autorizou uma intervenção militar.

Com a violência em níveis insustentáveis no regime de Damasco, a nova posição árabe pode inspirar também Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul, ainda relutantes a apoiar uma resolução no Conselho de Segurança da ONU. Por enquanto, os Brics aceitaram apenas apoiar uma declaração presidencial de caráter simbólico.

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